Roteiros homiléticos

 

Domingo de Páscoa– 12/04/2009

 

1ª Leitura: At 10,34a.37-43

Salmo: Sl 117

2ª Leitura: Cl 3,1-4
Evangelho: Jo 20,1-9

Páscoa significa a renovação e a restauração de toda Criação e da humanidade. Páscoa é passagem do pecado à graça, da morte à vida, da escravidão à liberdade, do conflito à paz...

A narrativa da ressurreição de Cristo mostra-nos a ausência do corpo no sepulcro. Mas será que apenas este sinal, do túmulo vazio, é suficiente para crermos que Ele realmente ressuscitou? Nem o túmulo vazio, nem as aparições aos Apóstolos, nem o testemunho de Maria Madalena são provas cabais da ressurreição de Jesus.

Muitos suspeitavam que os Apóstolos tivessem retirado e escondido o corpo em outro lugar, instigando assim o imaginário coletivo dos Apóstolos, na afirmação de que seu Senhor havia ressuscitado. Quanto às aparições, poderia atribuí-las a uma espécie de história coletiva. Diante do medo e da insegurança que os discípulos vivam, é perfeitamente justificável que tais visões fossem frutos da imaginação. Outra hipótese é que os Apóstolos compactuassem com uma fraude, para protegerem-se das perseguições. Mas foi justamente por causa da pregação do Cristo ressuscitado, que se alegravam por sofrer e por serem perseguidos. Entretanto, se realmente este fosse um segredo jurado entre “os doze”, como poderia perdurar até hoje? Simplesmente, impossível.

Então, qual é a verdadeira prova de ressurreição de Cristo? A resposta encontramos na 1ª Leitura. Pedro era uma pessoa sem instrução, inseguro, fraco e até mesmo covarde. Mesmo tendo acompanhado o “Mestre” por tanto tempo, não foi capaz de compreender sua mensagem e ainda O confundia com um messias apenas temporal e terreno. Além disso, ainda negou Jesus, por três vezes. Refletindo sob este aspecto, como pôde Pedro transformar-se complemente após a morte de Jesus, a ponto de pregar com desenvoltura, eloqüência e coragem, chegando ao extremo de entregar a própria vida? Sim, a transformação de Pedro é realmente o primeiro sinal concreto da ressurreição, pois por si só ele não teria a capacidade, a inteligência, o destemor, a força, e muito menos o Espírito de Deus habitando nele, para pregar da forma que pregou a tantas pessoas.

Quem, em sã consciência, daria a vida por alguém morto? Não apenas Pedro, mas todos os demais Apóstolos – menos o Apóstolo João – morreram como mártires, pregando e defendendo a causa de Cristo, porque tiveram a certeza da ressurreição. São Paulo dizia: “Viver para mim é pesar, morrer seria lucro”, porque tinha fé e a certeza de poder habitar com Cristo ressuscitado depois que morresse.

A Páscoa não se trata de celebrar o fato acontecido há cerca de 2 mil anos atrás, mas sim a nossa própria Páscoa. Pois, se nós acreditamos, como os Apóstolos, que Cristo ressuscitou e que habita em nós, então nossa vida deve pautar-se nas “coisas do alto”. Tudo isto significa vida nova, vida de pregador, de missionário, vida de perdão, de fé, de amor e de promoção da dignidade humana. Acreditando na ressurreição, não se teme morrer, mas teme-se não viver. Cristo garantiu-nos que todo aquele que nele crer e viver os seus ensinamentos terá parte com Ele e na sua vitória. Portanto, celebrar a Páscoa é celebrar a nossa vitória, a vitória sobre a morte.

Para exemplificar o fato, poderíamos fazer algumas comparações: há séculos atrás, quem poderia imaginar que o homem disporia de tamanha tecnologia na área da comunicação? As notícias do mundo chegando em tempo real pelos canais de rádio, televisão, internet, etc. Ou quem poderia imaginar que fosse possível transplantar órgãos de um corpo para outro, dando continuidade à vida? Ninguém. Da mesma forma, no tempo de Jesus ninguém poderia admitir que alguém pudesse viver, depois de morto. Porém, Jesus Cristo veio irromper esta falta de visão e de inteligência. A morte é o nosso segundo parto, é a passagem para terceira dimensão da vida. Vida uterina, vida terrena e vida eterna, ou seja, vida inconsciente, vida consciente e a vida transcendente.

Não podemos limitar o Criado: “Deus é tão grande, quanto você o deixa ser; e tão pequeno, quando você o obriga ser.” Cristo ressuscitou, vive em nosso meio, e, quanto mais humanos formos, mais revelaremos o “divino”.

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