Roteiros homiléticos

 

 28º Domingo do Tempo Comum – 11/10/2009

 

Deus Criou as Coisas, para Serem Usadas,
e o Ser Humano, para Ser Amado.
Infelizmente, Invertemos Esta Realidade:
Amamos as Coisas, e Usamos as Pessoas

1ª        Leitura: Sb 7,7-11
2ª Leitura: Hb 4,12-13
Evangelho: Mc 10,17-27

Hoje a Palavra de Deus nos convida a fazer uma boa reflexão sobre o nosso comportamento diante das riquezas. Como cristãos, qual é a nossa atitude diante dos bens materiais? Somos avarentos e queremos acumular sempre mais, ou somos pessoas que usam os bens para ajudar sempre mais?

Cristo veio para nos dar algumas orientações diante destas perguntas. Ele não veio abolir a lei e os profetas, mas aperfeiçoá-la. Isso significa que muita coisa proposta e revelada no Antigo Testamento Ele levaria à perfeição, uma vez que Ele mesmo é a plenitude da revelação de Deus. Para os judeus do Antigo Testamento até hoje, as riquezas não são maléficas e não são reprovadas por Deus, muito pelo contrário, quanto mais rico, mais abençoado. Consideravam abençoado e agraciado por Deus quem tivesse muitos bens materiais, muitos filhos, saúde e vida longa. Era a famosa teoria da retribuição. Quanto mais justo, honesto, temente a Deus, tanto mais receberia a recompensa aqui na terra, pois nada ou quase nada sabia sobre a ressurreição dos mortos. O único modo de receber a recompensa por acreditar em Deus era já na terra, por isto prezam tanto a riqueza. Eles acreditavam que Deus enriquecia aqueles que Ele amava.

Infelizmente os ricos do Antigo Testamento, bem como os do tempo de Jesus, quase nunca eram pessoas honestas e justas, mesmo que fossem tementes a Deus. Muitos enriqueciam explorando, enganando e oprimindo seus concidadãos. Esta era a briga dos profetas e do próprio Jesus contra os poderosos e ricos da época.

O livro da Sabedoria foi escrito por um Judeu em Alexandria. Muitos judeus viviam na diáspora no Egito. Alguns livres, e, outros, escravos. Muitos religiosos, e, outros, pagãos. Alexandria era uma cidade evoluída e próspera. Era um grande centro cultural e político, mas com cultura e filosofia grega. A grande maioria da população era pagã. Os pagãos não suportavam os costumes religiosos dos judeus. Como eram minoria, os judeus eram perseguidos por causa da fé e por causa de sua fidelidade ao Deus único. Diante da perseguição e sofrimento, muitos judeus renegaram a fé e a religião e aderiram aos cultos e costumes pagãos. O livro queria alertar os judeus a que não cedessem à perseguição e permanecessem fiéis até o fim. Ele exorta os irmãos de fé a que ninguém deixe a religião. O autor era um homem de muita fé e de vasto conhecimento da Palavra de Deus. Ele, por meio da 1ª Leitura de hoje, procura animar e reforçar a fé já enfraquecida dos seus compatriotas, para que reconquistem a esperança por meio da vivência da sabedoria que vem de Deus. A verdadeira sabedoria vem de Deus e não da Filosofia. É com a exaltação da Sabedoria de Deus, que se adquire a fé e a fortaleza da religião. Para ser sábio, segundo a 1ª Leitura, é necessário buscar três coisas: docilidade de coração para ouvir, entender e acolher a voz de Deus; capacidade de viver e praticar a justiça, segundo os critérios de Deus.

Nos nossos dias acontece a mesma coisa. Toda hora se vê uma nova filosofia, nova idéia, novas crenças apresentando-se como o único caminho a seguir e como a solução dos problemas da humanidade. Facilmente as pessoas se deixam dobrar diante desses falsos deuses e deixam de praticar a verdadeira fé, e se esquecem de praticar a justiça e a solidariedade. Inclusive muitos deixam de ouvir a voz de Deus e são levados à morte. Queremos a salvação, e jamais a perdição. Portanto precisamos abandonar imediatamente e progressivamente todos os falsos deuses, e livremente corrermos ao encontro da Sabedoria Divina.

Jesus chama-nos a atenção no Evangelho sobre os perigos das riquezas. Quando a única preocupação for a riqueza e se fizer de tudo para alcançá-la, isto pode levar a pessoa a transformar-se em obstáculo para a construção do Reino de Deus, além, é claro, de não entrar no Reino. Mesmo que achemos que vivemos os mandamentos, mas estivermos apegados exageradamente aos bens e riquezas, não apreciarão e nem teremos forças para optar pelos bens do Reino de Deus. Temos de lutar, trabalhar para conquistar o mínimo necessário para uma vida confortável, para viver dignamente como filhos e filhas de Deus. Mas temos de ser livres diante das coisas materiais. Elas estão aí para nos servir, e não nós servir a coisas. Jamais podemos permitir que elas nos dominem e tornem-se verdadeiros deuses em nossas vidas.

Somente pode seguir Jesus Cristo quem é capaz de ser livre perante as coisas materiais. Será maior aquele que colocar acima de tudo o amor a Deus e ao próximo. Aos que assim agirem, Jesus garante uma grande recompensa: cem vezes mais de tudo o que deixamos por causa dele, mais a vida eterna.

A 2ª Leitura anima-nos a buscar a Sabedoria de Deus, pois São Paulo nos ensina que ela pode ser encontrada na Palavra de Deus. Ela é sempre viva e eficaz, realizando tudo aquilo que promete. Quando lhe somos dóceis e obedientes, encontramos a Sabedoria de Deus e, guiados por ela, construímos o caminho que nos conduz à vida, mesmo que seja um caminho difícil de ser percorrido.

Deus criou as coisas para serem usadas e, o ser humano, para ser amado. Infelizmente invertemos essa realidade: amamos as coisas e usamos as pessoas.

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