Roteiros homiléticos

 

5 º Domingo de Páscoa – 10/05/2009

 

1ª Leitura: At 9,26-31

Salmo: Sl 21

2ª Leitura: 1Jo 3, 18-24

Evangelho: Jo 15, 1-8

No ensinamento da liturgia deste domingo, Jesus utiliza-se do cenário simples de sua época, observando a figura do agricultor, para representar Deus. A videira é o próprio Deus, e os ramos somos nós.

A vida de Jesus ressuscitado, a graça, não é qualquer coisa que podemos colocar sobre nós, como fazemos com uma vestimenta, que ora serve, e depois não se usa mais. A graça é a nossa vida, como a seiva é a vida do ramo. A seiva está no tronco e no ramo, mas ela está na raiz. Assim, a vida do Senhor ressuscitado é a nossa vida, a sua vitória sobre a morte, é a nossa vitória, o seu amor é o nosso amor. Devemos acolher o Senhor redivivo com empenho e alegria.

Naturalmente, a planta só sobrevive, alimentando-se da seiva. Assim, comparativamente, a seiva que nos mantém vivos e ligados à videira é a permanência na Palavra de Deus. É a seiva da graça, do amor e da vida. Uma vez ligados ao tronco, só poderemos dar frutos semelhantes a ele, e qualquer coisa diferente disto é, porque não estamos verdadeiramente ligados a Ele. Aquele que permanece em Cristo produz bons frutos, os frutos de Cristo. A lei da natureza é clara: não pode uma videira produzir melancias.

A conversão de São Paulo é um exemplo vivo da mudança e da transformação, a partir do fato de que lhe foi aberto o canal para que recebesse a seiva da graça. De perseguidor dos cristãos e, especialmente de Cristo, a um grande pregador e seguidor de Jesus. Assim como a videira se fortalece depois da poda de seus galhos, também Paulo, ao ser “podado”, se religou ao tronco, transformando-se em testemunho e defensor de Cristo, até a morte.
A 2ª Leitura ressalta que, se somos cristãos, de fato, devemos demonstrar amor de forma concreta. De que adianta amar somente com palavras? Jesus é perdão, acolhida, promoção, ajuda, e, se estamos verdadeiramente ligados a Ele, devemos perdoar, acolher, promover, ajudar, etc.

Lamentavelmente existem muitos cristãos “de fachada”, cujo comportamento é de modificar-se ou adaptar-se conforme seja conveniente. Este é um sinal claro e evidente de que está desligado da videira, e todo ramo longe do seu tronco seca e morre.

Permanecendo na seiva, seremos reconhecidos como discípulos de Cristo, teremos os frutos de Cristo, e tudo o que pedirmos Deus nos concederá.

Não basta plantar uma bela vinha, em um terreno fértil. É necessário cultivá-la, podá-la, cavar ao redor, colocar adubo, tirar o mato, defendê-la das pragas e pássaros. Quem é que faz isto? É o agricultor. E o agricultor de nossas almas, de nossas vidas, quem é? É o próprio Espírito de Deus, que opera “dentro” de cada um de nós, para nos aproximar de Jesus, para nos lembrar de suas palavras, para cortar os nossos ramos secos, para desenvolver o bem que carregamos no coração, para manter-nos fiéis aos propósitos feitos, para nos afastar dos perigos do mal. O agricultor não quer jamais a perda de sua lavoura, ao contrário, faz de tudo, para que produza frutos. Do mesmo modo, Deus faz de tudo, para não perder ninguém.

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