Roteiros homiléticos

 

 32º Domingo do Tempo Comum – 8/11/2009

 

1ª Leitura: 1Rs 17,10-16
2ª Leitura: Hb 9,24-2
Evangelho: Mt 12,38-44

“Jesus Cristo não é um rico que vem visitar, como um turista, a terra subdesenvolvida da humanidade.”

Duas pobres viúvas são, digamos assim, as personagens principais da Liturgia da Palavra deste domingo. A hospitalidade da primeira é compensada com o milagre feito por intermédio de Elias; e a generosidade da segunda merece o elogio de Jesus. E a generosidade delas é ainda mais digna de menção, se comparada com os cálculos e a avareza dos ricos. Por um lado, temos a ímpia rainha Jesabel, mulher de Acab, que persegue o profeta Elias e vive no luxo e na opulência, desprezando os pobres (cf. 1Re 21); por outro, os ricos escribas que “devoram as casas das viúvas” e que procuram acima de tudo ocupar os primeiros lugares.

Jesus ensina precisamente os seus discípulos a interpretar essas histórias “menores”, protagonizadas por gente que não conta, feitas de gestos que não fazem barulho, não despertam a atenção e não merecem os grandes títulos dos jornais. Trata-se dum convite a não fixar a atenção no exterior das coisas e dos acontecimentos, porque o clamor dos gestos espetaculares pode cegar a capacidade de ajuizar da validade ou não das ações dos homens.

Neste capítulo, talvez tenhamos sempre algo que corrigir, à medida que, com muita frequência, os nossos critérios não são os critérios de Deus, mas pura e simplesmente os critérios dos homens. E a verdade é que, neste capítulo, ainda muito é preciso fazer, sobretudo por parte da Igreja no seu conjunto e dos seus “dirigentes”, para que o testemunho dela seja realmente o que deve ser.

A antítese ricos/pobres é um tema frequente nos discursos de Jesus. Está, portanto, na base da própria essência do Reino de Deus. Nesse sentido, é uma reviravolta radical em relação ao que é a comum mentalidade humana materialista.

Não se trata, como é evidente, de fazer uma apologia ou crítica deste ou daquele sistema social, até porque, mesmo humanamente falando, não há sistemas perfeitos e sistemas imperfeitos. As exigências de Jesus são mais radicais, à medida que reconduzem o tema ao próprio interior do homem como tal. Há como que uma chamada de atenção para a verdade com que o homem tem que se apresentar diante de si mesmo e de Deus.

Em outras palavras, Jesus apela para a sinceridade e pureza do coração. Nestas coisas, podemos enganar os outros, mas dificilmente nos podemos enganar a nós mesmos. Impossível então enganar a Deus. É essa sinceridade e verdade de fundo que Jesus louva na viúva do Novo Testamento, e é desta sinceridade que se fala em relação à viúva de Sarepta que, da sua miséria, dá de comer ao profeta Elias.

A viúva do trecho evangélico deu do seu necessário, contrariamente aos ricos que deram algo de supérfluo do seu poder e dos seus privilégios na procura da própria glória. A oferta da viúva, em termos humanos, pode ser, e é, insignificante, mas o dom é total.

Quando alguém, para além de evitar o espalhafato, dá aquilo que lhe é absolutamente necessário, dá de si mesmo, e não apenas alguma coisa. É isto que merece a admiração de Jesus, cujos critérios de juízo não são os nossos. Ele não mede o que doamos pelos cifrões. Mede pela medida do amor, do coração, da interioridade da pessoa.

Dar assim é dar como Deus faz. De algum modo, Ele não nos dá do que tem, mas sim o que é: a sua própria vida divina. Jesus pobre e servo dos homens não é um parêntesis na vida de Deus. É uma manifestação da condição de Deus: Ele não é um rico que vem visitar, como um turista, a terra subdesenvolvida da humanidade; Ele é o nosso irmão que se torna pobre e escravo, para enriquecer com a riqueza da sua vida a nossa pobreza.

O futuro é construído no presente. Viver bem hoje é o segredo da felicidade, sem preocupações descabidas sobre o dia e a hora do final dos tempos. Além disto, cada um de nós terá o seu fim particular, no momento em que partir desta vida. Este dia, ninguém o pode prever, e, mesmo assim, o término é da existência, e não da vida, pois de ninguém a vida é tirada, mas transformada.

Quantas tentativas frustradas de prever o dia do fim do mundo já presenciamos? Todas fracassadas e sempre com justificativas nada convincentes. São bobagens que, infelizmente, ainda amedrontam grande parte das pessoas, gerando conflitos, dúvidas, e até doenças, como por exemplo, a síndrome do pânico.

Portanto, o ensinamento que traz o gênero apocalíptico é que, não obstante momentos de dificuldades, sofrimento e tristeza, procuremos viver com esperança renovada, buscando força, coragem e ânimo, porque: “Tudo passa, só Deus basta” (Santa Teresa de Jesus).

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