Roteiros homiléticos

 

Santíssima Trindade – 7/6/2009

 

1ª Leitura: Dt 4,32-34,39-40
Salmo: Sl 32
2ª Leitura: Rm 8,14-17
Evangelho: Mt 28,16-20

A Santíssima Trindade é amor comunhão, não dominação

O mistério da Santíssima Trindade é de difícil compreensão, justamente por ser um mistério. Sua presença revela-se constantemente na Criação, e, para percebê-la, basta meditar algumas situações pela quais ela se revela.

“Entretanto, nenhum argumento é suficiente para explicar as ‘coisas de Deus’” sem a fé. Nem mesmo grandes teólogos, com suas divagações sobre a Trindade, conseguiram dar clareza e entendimento ao assunto. “Não podemos prescindir da fé, embora Einstein dissesse que ‘a religião sem ciência é coxa, e a ciência sem religião é manca.” Esta afirmação quer nos mostrar que a fé não pode existir sem a razão, ou seja, deve possuir certa racionalidade. Caso contrário, erros, enganos e injustiças serão cometidos por conta de uma fé “cega”.

Mas o mistério transcende nossa compreensão lógica. Na passagem narrada pela primeira leitura percebemos que, desde os primórdios da Criação, Deus se manifesta, deixando a sua marca, concebendo-nos conforme sua imagem e semelhança. Os traços que caracterizam esta semelhança não são de natureza física ou biológica, pois Deus imprimiu em nós o que Ele é: Amor.

Ainda assim toda vez que conceituamos Deus, nós O limitamos, tratando-se apenas de atributo humano. Isto significa que o ser humano tem apenas uma vaga compreensão de Deus. Isaac Newton dizia: “O que conhecemos é uma gota, e o que não conhecemos é um oceano inteiro.” Como podemos então divagar sobre a Santíssima Trindade? É simplesmente impossível, incompreensível!

Ao contemplarmos as maravilhas criadas por Deus, vamos, os poucos, descobrindo a presença, a marca, o carimbo da Trindade. Vejamos alguns exemplos.

A menor partícula existente no universo, o átomo, é formado por nêutron, próton e elétron. São três elementos distintos, cada qual tem sua função, porém, partes do mesmo átomo. Na falta de um deles, o todo não existe.

Considerando a menor parte de um ser vivo, a célula, constituída de membrana, citoplasma e núcleo, novamente observamos três partes fundamentais ao seu funcionamento, e, consequentemente, de todo o organismo.

Com relação ao psiquismo, podemos afirmar que todo ser humano vive orientado pela inteligência, vontade e memória. Sem um deles, o homem não vive consciente de si mesmo.

Sobre a própria Santíssima Trindade, Deus-Pai é quem pensa e cria; Deus-Filho é quem ama e redime; e Deus-Espírito Santo é quem renova e vivifica.

Ainda podemos citar os elementos formadores da família: pai, mãe e filhos. Neste paralelo, incluímos as necessidades básicas para a sobrevivência do homem: alimentos, água e oxigênio. Nossa realidade temporal se caracteriza pelo presente, passado e futuro, assim como nossa vida é feita de três fases: uterina, terrena e eterna.

Enfim, a presença da Trindade encontra-se estampada nos detalhes da Criação desde o início dos tempos. Alguns teólogos defendem erroneamente a existência de três “eras” diferentes: o período do Antigo Testamento teria sido a “Era do Pai”; o Novo Testamento corresponderia a “Era do Filho”; e a ascensão de Jesus, corresponderia aos dias atuais, em que viveríamos a “Era do Espírito Santo”. Neste caso teríamos três “deuses” independentes um do outro? Isto se refletiria numa realidade estanque, ou num trideismo? Não seria melhor falar em “função” de cada uma das três pessoas da Trindade?

O Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas, em um único Deus, cada qual, porém, com a sua função. Um exemplo clássico para ilustrar esta realidade é o de uma vela que contenha três pavios. Cada pavio tem a sua chama, todavia, todos eles são supridos pela mesma substância, a cera. Assim também, a Santíssima Trindade se alimenta de uma mesma substância que mantém a inter-relação das três pessoas: o Amor.

A teologia trinitária fundamentou-se do segundo ao sexto século; porém, já no início do Cristianismo, a comunidade de Mateus batizava em nome da Trindade.

Com o passar dos tempos a sociedade enveredou-se em ralação a Deus para um verticalismo. Nesta ótica, quem manda é o Pai, enquanto o Filho e o Espírito Santo obedecem. Seguindo o mesmo raciocínio, a realidade humana, o poder, concentra-se nas mãos de poucos: na monarquia, no rei; no presidente, no prefeito; no chefe, no pai, etc. Este é um erro gravíssimo e que tem consequências lamentáveis, das quais somos as próprias vítimas.

A Trindade é amor-comunhão, e não amor-dominação.

Sempre que nos colocamos em posição superior, de comando, de ordem, de dominação sobre os outros, estamos pecando contra a Trindade. Ao passo que, ao privilegiarmos o amor, a comunhão e o respeito aos outros, revelamos cada reflexo do Pai, Filho e Espírito Santo em nós e na natureza.

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