Roteiros homiléticos
4 º Domingo de Páscoa – 3/05/2009
1ª Leitura: At 4, 8-12
Salmo: Sl 117
2ª Leitura: 1Jo 3, 1-2
Evangelho: Jo 10, 11-18
O 4° Domingo da Páscoa é sempre reservado pela Igreja para uma celebração especial, o do Bom Pastor.
Jesus Cristo deu a vida por nós espontaneamente, por puro amor. Da mesma forma se comporta a mãe, que ama incondicionalmente, independente de ser ou não amada pelos filhos. Sua satisfação depende do bem estar e felicidade dos filhos.
A passagem do Bom Pastor ensina-nos que a verdadeira religião é como Jesus, aquela que liberta as pessoas da superstição, da dominação, da opressão, do poder. É comum depararmo-nos hoje com religiões conduzidas por “mau pastores”, com atitudes que confundem, agitam, angustiam e amedrontam as pessoas. Jesus já fez alusão aos maus pastores, dizendo: eles não se preocupam com as ovelhas, não as protegem dos lobos, abandonando-as à própria sorte. Maus pastores eram os dirigentes políticos e religiosos da época, que recebiam a missão de conduzir o povo para Deus, mas eram os primeiros mercenários a explorá-las.
Os pastores tinham o direito de servir-se do seu rebanho, alimentando-se com a carne e vestindo-se com a lã. Entretanto, Jesus, o Bom Pastor, nada disso fez, ao contrário, quis Ele próprio servir. Tal serviço chega ao extremo de dar a própria vida em favor do bem estar de suas ovelhas.
Neste episódio, o curral é representado pela sociedade que, de certa forma, aprisiona as pessoas, e a porta é o próprio Jesus. Sair do curral significa deixar para trás tudo aquilo que nos oprime, nos faz sofrer e diminui a dignidade. Passar pela porta que é Jesus significa abraçar o seu projeto e a sua cruz. E, uma vez que somos de Jesus, devemos ser necessariamente semelhantes a Ele.
Na 1ª Leitura percebemos que Cristo continua sua ação na Igreja por meio dos Apóstolos. Entretanto, o preço é alto, pois foram perseguidos, presos, interrogados e mortos, simplesmente por pregar e fazer o bem. Qualquer pessoa que é capaz de libertar o povo do “curral” é uma ameaça ao poder dos dirigentes políticos e religiosos, na época e ainda hoje. Assim como Jesus foi morto por fazer o bem, da mesma forma, os Apóstolos tiveram um fim não menos trágico.
Cristo veio para nos libertar, para dar vida plena a todos, e nenhuma autoridade, seja política ou religiosa, tem o direito de colocar mais peso, mais carga sobre os ombros das pessoas, como acontecia na época d’Ele e como acontece ainda hoje.
Se entrarmos pela porta, que é Jesus, iremos nos tornar filhos e filhas de Deus, e os filhos geralmente são o espelho dos pais. Servir a Ele não deve ser uma obrigação, mas consequência natural do amor.
Deus não exige sacrifícios, apenas quer que amemos gratuitamente, sem esperar nada em troca. Definitivamente é correto afirmar que a felicidade verdadeira não está em ser servido, mas em servir. Caso contrário, que sentido teria o próprio Jesus vir até nós, para ensinar esta lição?
O amor verdadeiro não exige, não aprisiona, não oprime. Infelizmente, no mundo em que vivemos, amar, no verdadeiro sentido da palavra, é atitude que causa espanto nas pessoas. Prontamente surgem críticas, constrangimentos e, por que não dizer, as ameaças. Ser bom, ser correto, ser justo é comportamento ultrapassado, fora de moda. O inteligente é ser esperto, é seguir a Lei de Gerson, levando vantagem em tudo, não importando sobre o que ou sobre quem se passa por cima.