Roteiros homiléticos
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – 2/11/2009
No Entardecer de Nossas Vidas, Seremos Julgados pela Vida Que Vivemos
1ª Leitura: Sb 3,1-9
2ª Leitura: Rm 8,14-23
Evangelho: Jo 11,32-45
Uma vida efêmera, fugaz e breve, este é o tema em que refletimos neste dia dedicado aos fiéis defuntos. Assim como a plenitude da gravidez acontece no parto, a plenitude da vida terrena é a morte. As passagens bíblicas deste dia dizem-nos que a existência física é finita, porém nossa existência vital é infinita e não termina com a morte.
Dentre os muitos milagres operados por Jesus, três tratam de ressurreição de pessoas, a saber: de Lázaro, do filho da viúva de Naim e da filha de Jairo. Por meio destas ressurreições, Jesus demonstra a ação da Santíssima Trindade que perpetua a existência humana.
Estudos científicos ligados à Medicina e à Psicologia comprovam que o feto luta para não nascer, sendo este o seu mecanismo de defesa para manter-se no conforto e proteção do útero materno. Todavia a própria natureza se encarrega de, depois de completada a gestação, dar-lhe à luz. O seu nascimento não deixa de ser uma morte, pois, quando nasce para a vida terrena, morre para a vida uterina. É como se fosse uma “via” de único sentido, sem volta. A passagem da segurança para o desconhecido é penosa, tanto que ela ocorre entre gritos e muito choro. Confúcio dizia: “Quando você nasce todos riem, e só você chora; quando você morre, todos choram, e só você ri.”
Na 1ª Leitura observamos que para os insensatos de nada adiantava viver retamente, se o fim de todos será a morte. Aos seus olhos, nenhum privilégio tinham os justos, uma vez que como qualquer outro passavam pela dor e pelo castigo da morte. Nesta concepção, os insensatos optavam por desfrutar de tudo, não se importando com ética, moral ou bons costumes. O mesmo autor escreve que os justos pertencem a Deus e que a morte deixa de ser castigo, para ser o momento precioso do encontro entre Criador e criatura.
Assim como a criança precisa viver a plenitude da gravidez, para nascer, nós precisamos viver a plenitude da vida terrena, para morrer e alcançar a vida eterna. Os pais são os responsáveis pela preparação psicológica da criança durante o período de gestação. Mais ou menos traumas no recém-nascido dependem muito da aceitação, da tranquilidade e do amor a ele dedicado durante a gravidez. Já na vida terrena, nós mesmos somos os responsáveis por levar mais ou menos traumas para a vida eterna, ou seja, os pecados ou virtudes atuais nos remeterão à infelicidade ou à felicidade futura.
Viver o bem, o amor e a justiça nos preparam para evitarmos traumas e consequências no terceiro estágio da vida. Da mesma forma que não nos lembramos do que aconteceu enquanto habitávamos o ventre materno, ao adentrarmos na eternidade não recordaremos absolutamente nada daqui, a não ser as consequências de nossos atos. Como disse São João da Cruz: “Ao entardecer de nossas vidas, seremos julgados pelo amor.”
Em sã consciência, ninguém deseja morrer, pois faz parte da natureza humana o medo da passagem e a incerteza do que se pode encontrar do lado de lá. No entanto, Jesus prova-nos a veracidade da ressurreição, e de nossa parte temos de ter fé.
Refletindo na passagem do Evangelho que narra a ressurreição de Lázaro, podemos extrair ensinamentos interessantes. Jesus, ao chegar à casa de Marta e Maria, fica parado do lado de fora, porque, sendo Ele sinal de esperança, não poderia permanecer no mesmo local no qual está presente o desespero. Marta, ao dirigir-se para fora da casa em direção ao Senhor, recobra a esperança. É muito comum afastarmo-nos de Deus nos momentos difíceis e de desespero, quando, ao contrário, deveríamos caminhar em direção a Ele, para recobrar forças, esperança e vida.