Roteiros homiléticos
18º Domingo Comum – 2/8/2009
Recebemos Bênçãos e Graças, à Medida que Somos Bênçãos e Graças para os Outros
1ª Leitura: Ex 16,2-4.12-15
Salmo: Sl 77
2ª Leitura: Ef 4,17.20-24
Evangelho: Jo 6,24-35
Todos os anos a Igreja dedica o mês de agosto às vocações. O ponto principal é alertar cada cristão a colocar-se disponível ao chamado de Deus, segundo os dons e talentos recebidos.
Entretanto, nada disso ocorre contra a nossa vontade. Pelo contrário, além dos dons e talentos, temos a liberdade de aceitar ou não a missão para qual fomos chamados. As vocações são as mais variadas. Enquanto uns são chamados ao sacerdócio, outros à vida religiosa, outros a serem bons pais e mães, ou, quem sabe, catequistas, ministros, agentes pastorais, leigos engajados, enfim tantas outras funções dentro e fora da Igreja, para o bem de todos.
Abraçando verdadeiramente nossas missões, assumimos a responsabilidade de colocar-nos a serviço dos irmãos, transformando-nos em “canais vivos” de bênçãos e graças. Deus derrama bênçãos e graças sobre nossas vidas, à medida que somos bênçãos e graças para os outros. Isto, porque somos um todo, fazemos parte do Corpo Místico da Igreja, e cada “vocacionado” deve desempenhar seu papel onde quer que esteja: na comunidade, em casa, no trabalho, na sociedade, sempre e em todo lugar.
A 1ª Leitura descreve a insatisfação do povo hebreu que peregrina no deserto rumo à Terra Prometida. Reclamam com Moisés sobre o sofrimento que passam, lembrando da fartura de alimentos que tinham no Egito, apesar da condição de escravos. Traçando um paralelo, podemos trazer esta passagem para os nossos dias, quando muitas pessoas buscam a libertação, sem, contudo, aceitar nenhum tipo de mudança, desejando que tudo fique como está, deixando-se dominar pelo comodismo.
Desde o Batismo, Jesus inicia em nós um processo de libertação. Caminhamos pelo deserto da vida em busca da libertação eterna. Deus sempre quer o melhor para nós, assim como quis para o povo hebreu, quando o guiava rumo à Terra Prometida. Mas toda mudança implica em sofrimento, em renúncia, o que naturalmente não queremos, e evitamos.
Em nossa concepção, o ideal seria que Deus fizesse um “salto”, e, assim, pudéssemos nos livrar das partes mais difíceis e sofridas. Na realidade, somos libertados, à medida que nos desacomodamos, nos desinstalamos e, principalmente, à medida que confiamos e vamos em frente.
Também nós, hoje, contribuímos para manter a situação como está, quando damos comida às pessoas necessitadas, sem exigir nenhuma contrapartida? Esta atitude prejudica os próprios beneficiados, uma vez que não existe promoção humana, que não se eleva a auto-estima, quando o mais importante é simplesmente matar a fome. Esta é a maneira mais fácil e cômoda, tanto para quem dá como para quem recebe; entretanto, esta não é a solução para o problema, que só tende a se agravar. A isto chamamos assistencialismo. Condicionar o recebimento do beneficio a uma atitude em favor da mudança da situação é necessário e bom para a própria dignidade de quem recebe. Assim, deixar de ser um “peso”, deixar de ser “objeto”, para ser “sujeito” na sociedade.
A 2ª Leitura convida-nos a revestir-nos de uma nova mentalidade. Isto significa que devemos nos libertar do comodismo, da rotina diária, dos padrões inflexíveis. O comportamento sempre previsível e rotineiro é o maior inimigo da vida familiar, e pode levá-la ao fracasso. O mesmo pode acontecer na vida profissional e em todas as áreas de nossas existências. Não há empecilhos para quem tem mentalidade aberta, para quem busca mudança e melhoria continuamente.
A busca pela inovação e renovação deve ser uma constante em nossas vidas, porque o passado passou e, como diz um sábio ditado popular: “Quem vive de passado é museu!” Onde quer que estejamos, Jesus pede-nos uma nova mentalidade, e para tanto é fundamental que nos libertemos dos preconceitos, paradigmas e da posição mais confortável. Se Moisés não superasse todas as dificuldades da travessia do deserto, o povo nunca teria chegado à terra prometida.
No Evangelho vimos que o povo procurava Jesus para serem saciados da fome que sentiam, e não por crerem n’Ele. E quantas vezes fazemos o mesmo? Procuramos Jesus só para satisfazer nossas próprias necessidades, de forma egoísta e mesquinha. Obviamente que podemos e devemos dirigir nossos pedidos ao Senhor, porém lembrando sempre que receberemos bênçãos e graças, à medida que nos tornamos bênçãos e graças para os outros. Assim nada nos faltará.