Roteiros homiléticos
31º Domingo do Tempo Comum – 1/11/2009
1ª Leitura. Ap 7,2-4.9-14
2ª Leitura. 1Jo 3,1-3
Evangelho. Mt 5,1-12a
No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia, logo após 31 de outubro, quando os Celtas ingleses, pagãos, celebravam as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nesta noite (Halloween).
A nossa festa de hoje é apenas um reflexo obscuro da festa no Céu. Imagine todos os anjos e santos reunidos em torno de Deus, unidos, louvando e adorando Deus, os santos que tenham sidos canonizados pela Igreja, assim como milhões de santos de todas as idades que foram fiéis a Jesus e agora desfrutam do Céu.
A Igreja militante (aquela que ainda está terra) venera e louva a Igreja triunfante do Céu. “Celebrando numa única solenidade todos os santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – ele presta homenagem à multidão de santos que povoa o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi então o número dos assinalados, cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel… Depois disto, vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas nas mãos... Estes são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.”
Estes 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número 12 significa as tribos e os Apóstolos, e o número 1000 significava para os judeus uma grande multidão; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isto no Céu. Portanto hoje celebramos todos os santos, ou seja, aqueles que estão no céu, são santos, mas não necessariamente canonizados. Pode ser algum parente ou amigo que já partiu para a casa do Pai. Ele, se estiver no céu, é santo, mesmo não-canonizado. Os santos no céu foram fiéis a Deus, apesar de todas as dificuldades de viver a vida cristã e ser um seguidor de Jesus. É por isto que eles já estão de vestes brancas na visão de João, mostrando que eles mantiveram-se fiéis a Jesus, com todos os desafios pelos quais passaram.
Na hora da morte, São Domingos de Gusmão disse aos seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte, e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida.” E Santa Teresinha confirmava este ensino, dizendo: “Passarei meu céu fazendo o bem na terra.”
A criança estava caminhando por um cemitério com seu avô. Intrigada com as lápides, perguntou a ele: “Estas pessoas vivem nessas casas?” Seu avô disse: “Deus chamou-as, e agora vivem na Casa de Deus. O menino disse: “E este é o lugar onde elas abandonaram as suas roupas.” De que melhor maneira poderia explicar a passagem desta vida para a próxima?
A marca dos Santos são as Bem-Aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha. Por isto esse trecho do Evangelho de São Mateus foi lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes, e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo.
Os preciosos escritos de Santa Teresa de Ávila, de São João da Cruz, os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola e os escritos de todos os santos incentivam-nos a viver próximos de Jesus. Também são modelos a seguir, já que eles conseguiram alcançar a santidade. Embora os santos tivessem lutado contra as tentações e pecados, desde o início até o final de suas vidas, vemos que eles viveram o Evangelho das Bem-Aventuranças. Assim, eles nos encorajam, e tornamo-nos mais conscientes da nossa necessidade de maior crescimento. Os santos eram felizes, porque eram pobres em espírito, mansos, tinham fome e sede de justiça, eram misericordiosos e puros de coração. E dentre os santos, veneramos de modo especial os mártires, como nossa 1ª Leitura do Apocalipse afirma.
Cada um de nós é chamado a ser santo. O Concilio Vaticano II disse: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.” Todos são chamados à santidade: “Deveis ser perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito.”
O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual, oração, mortificação, vida sacramental, meditação, luta contra si mesmo; é isto que nos leva gradualmente a viver na paz e na alegria das Bem-Aventuranças.