Roteiros homiléticos

 

1º Domingo da Quaresma – 1/03/2009

 

1ª Leitura: Gn 9,8-15

Salmo: 24
2ª Leitura: 1Pd 3,18-22
Evangelho: Mc 1,12-15

O convite deste início da Quaresma é aquele que se repete todos os anos – conversão –, mas que insistimos em ignorar. A liturgia traz a receita, a fórmula, o modelo; enfim, ensina-nos o que é preciso compreender, aceitar e praticar, para que nos convertamos cada dia um pouco mais.

A primeira leitura relata a realidade da humanidade após o declínio moral, social e religioso. A mensagem central é a certeza de que a humanidade pode sair do caos. Caos que significa pecado. Para tanto, existe uma condição fundamental: participar da Nova Aliança, isto é, praticar a justiça, viver em harmonia com Deus, com o próximo e com a natureza. Foi esta a proposta de vida nova oferecida no Antigo Testamento a Noé e aos habitantes da arca depois do dilúvio. Deus continua hoje nos fazendo o mesmo chamado, propondo-nos uma nova caminhada, uma nova atitude, com participação efetiva na Nova Aliança.

O sinal visível e maravilhoso que representa esta Aliança é o próprio arco-íris, um conjunto de cores perfeitamente harmoniosas, como deveria ser a Nova Criação.

Poderíamos dizer que diariamente somos chamados a morrer para o caos, para o pecado, passando por um dilúvio pessoal. Assim, a cada despertar deveremos ser novas criaturas, dispostas a recomeçar, a melhorar um pouco mais, a renovar a aliança com Deus de forma concreta, mediante nossas atitudes.

O Evangelho deste domingo adverte-nos de que o tempo da renovação da Aliança é agora. Jesus chama-nos à conversão, que é o único caminho para vencermos as tentações a que estamos expostos. Se Jesus, com todo seu poder, sabedoria e santidade, foi duramente tentado, muito mais tentados somos nós, em nossa fraqueza e pequenez.

A citação dos 40 dias, tempo que Jesus passou no deserto, significa que temos em torno de 40 anos para nos preparar, voltando-nos para Deus, intensificando o processo de conversão pessoal. Isto, de certa forma, explica o fato de pessoas mais idosas dedicarem mais tempo à vida de oração e a espiritualidade mais intensa. No entanto, vale lembrar que isto não é regra, visto que não se sabe quantos anos vivemos e se teremos todo este tempo. Também significa a passagem da vida privada de Jesus para a vida pública. É tempo de passarmos do pecado para a graça.

A cada aparição do arco-íris no céu, devemos nos lembrar e refletir em que isto significa um convite de Deus, que ainda confia em nós, e nos dá a oportunidade de conversão, de renovação da Aliança, de mudança para melhor.
O terceiro ponto desta reflexão trata-se da Igreja que vive o Batismo – fonte de nova identidade. A cada cristão cabe a responsabilidade de continuar a ação de Cristo, ser sinal de harmonia, justiça e paz na sociedade. Vencer as tentações de hoje, significa derrotar o sistema que desarmoniza, desequilibra, oprime e discrimina. Só assim estaremos de fato em processo de conversão e seremos portadores da identidade da Nova e Eterna Aliança, que é Jesus Cristo em nós.

Temos de falar um pouco sobre a Campanha da Fraternidade deste ano. O tema é: Fraternidade e Segurança Pública. O lema é: A Paz é Fruto da Justiça.

“A Campanha da Fraternidade de 2009 quer ser o grande esforço da Igreja no Brasil para viver intensamente o tempo santo da Quaresma...” O objetivo é suscitar o debate sobre o grave problema da falta de segurança pública e “contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social, que seja garantia de segurança para todos...”

Como um dos objetivos específicos, a CF “quer desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência e à promoção da cultura da paz. Favorecer também a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz. Apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos”.

 

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