Que venha 2018!

Que venha 2018!

As elites do Brasil campeão da concentração da riqueza e da renda, e por isso, campeão da desigualdade social, nunca admitiram repartir nada do que consideram seu

por Ivo Poletto *

Muitas mensagens que recebi repetiam: que venha 2018! Não no sentido festivo, superficial, ingênuo. As mensagens estavam carregadas de referências críticas a 2017, visto como um ano marcado pelas agressões aos direitos das pessoas e da Terra em todo lado, mas especialmente em nosso país. Sobrou pouco do que as elites econômicas desejavam tirar da Constituição Federal desde 1988.


É isso mesmo, elas desejavam o que está sendo realizado pelo governo ilegítimo Temer e pelo Congresso, todos dominados pelos financiadores de suas campanhas, isto é, pelas grandes empresas e pelos senhores do agronegócio e do capital financeiro. As elites do Brasil campeão da concentração da riqueza e da renda, e por isso, campeão da desigualdade social, nunca admitiram repartir nada do que consideram seu: os privilégios, as propriedades, a renda, e o poder, inclusive o de explorar ao máximo e de forma legal o trabalho das pessoas. A reforma trabalhista deu ar de legalidade ao seu poder absoluto sobre a exploração das pessoas, chegando muito perto de legalizar mais uma vez o trabalho escravo.

cidadania-para-todosPor isso, ao desejar que venha 2018, os amigos e amigas desejaram que comecemos janeiro com muita esperança, isto é, com a decisão de não perder oportunidades e, se necessário, de criar novas oportunidades para enfrentar o que foi imposto ao povo brasileiro em 2017. É bom e necessário desejar que tenhamos esperança porque 2018 não será um ano fácil. Basta lembrar que já em fevereiro o governo e o Congresso tentarão mais uma vez aprovar a criminosa proposta de reforma da Previdência, contando, mais uma vez, com o silêncio igualmente criminoso do Supremo Tribunal Federal, que deixa rasgar a Constituição impunemente.

Desejar que venha 2018 significa, então, afirmar que a sociedade brasileira deverá agir com firmeza para evitar os diferentes golpes contra a democracia, contra os direitos das pessoas e da Terra praticados pelas elites e seu governo. Uma das oportunidades para isso serão as eleições de outubro, mas para que o sejam precisamos estar atentos e mobilizados como cidadãos e cidadãs porque a mesma elite está querendo continuar mandando de qualquer jeito, até castrando o poder popular com a imposição de um parlamentarismo oportunista.

Nosso desejo e nosso compromisso é que 2018 seja um ano de afirmação do poder popular.

* Ivo Poletto, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS): www.fmclimaticas.org.br

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