Formação

 

 

Sacerdote: Ordenado para a Missão Universal

Pe. Elmo Heck

Como estamos no Ano Sacerdotal, convidamos a olhar com maior empenho para a realidade vocacional do ministro ordenado, principalmente para a Missão Universal.

Os diáconos, padres e bispos recebem um ministério especial com o Sacramento da Ordem, pelo qual a Missão que Cristo confiou aos Apóstolos continua a ser realizada em Sua Igreja. Os ministros que recebem o Sacramento da Ordem recebem, segundo a Doutrina da Igreja, um poder sagrado, em nome e com a autoridade de Cristo, que, no entanto, está orientado para o serviço do Povo de Deus no mundo todo. Os ordenados são ministros de Jesus. São Tomás de Aquino afirma que “somente Cristo é o verdadeiro sacerdote; os outros são seus ministros”.
O presbítero deve assumir incansavelmente a função para a qual é consagrado: pregar o Evangelho, celebrar o culto divino, sobretudo o Sacrifício Eucarístico, e ser o pastor dos fiéis. Ele é ordenado para uma Missão universal, e deve ser ministro na Igreja espalhada por todo o mundo. Inclusive, estar disponível para a Missão além fronteiras e “ad gentes”.

Os fiéis leigos participam, pelo Batismo, do sacerdócio comum, mas não têm a Missão por oficio. No entanto também são chamados para a Missão, onde se encontrem inseridos na sociedade. O sacerdócio do ministério ordenado deve possibilitar, e não remover, o sacerdócio da Igreja inteira.

“Há um único Sacerdote, e, por isto, aqueles que na Igreja são revestidos da dignidade do sacerdócio ordenado participam dum modo específico do Seu único sacerdócio. O sacerdócio ordenado é componente insubstituível do edifício da redenção; é canal através do qual fluem normalmente as águas frescas necessárias para a vida. Este sacerdócio, ao qual se é chamado por pura gratuidade (cf. Hb 5,4), é ponto central da inteira vida e Missão da Igreja” (João Paulo II).

Pe. Stefano Raschietti, na sua primeira palestra no Congresso Missionário Nacional, realizado em Belo Horizonte, MG, em maio de 2008, relatou este fato: “Um filho de certa terra, recém-ordenado padre, de acordo com seu bispo, decidiu ir à Missão que sempre tinha sonhado: a África. Na Igreja houve orações, discursos, cantos e muita empolgação. Terminada a celebração, já no pátio da Igreja, começaram as divergências: ‘Como podemos aceitar isto? Aqui não temos padre e este nosso conterrâneo vai trabalhar longe, no meio de um povo que nem conhecemos? Antes vamos prover às nossas necessidades, depois se poderá pensar nos outros.’ Alguém respondeu: ‘Você fala de um jeito, que nem cristão parece. Se Deus chamou o nosso amigo para trabalhar na África, quem somos nós para nos opormos? Afinal nós não estamos tão abandonados assim. Há uma equipe de irmãs que nos ajudam e há leigos assumindo as várias tarefas de nossa comunidade. Deus vai olhar para nós que demos o único padre que tínhamos.’ Uma senhora acrescentou: ‘Nosso Brasil tem recebido muito dos padres vindos de fora... É bonito poder retribuir um pouco a Deus por este grande dom, enviando um filho de nossa terra para a África, onde talvez o povo precise mais do que aqui.’”

Hoje se fala muito de Missão Transcontinental, ou seja, não existe continente para a Missão, e sim a Missão para todos os continentes. Todos os sacerdotes estão em Missão em qualquer continente. Lá onde há mais necessidades, aí estão eles, ou deveriam estar.

A Missão universal é Missão da Igreja, e o sacerdote é Igreja. Deve, portanto, estar em permanente Missão.

 

topo


© Site das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, todos os direitos reservados.