Paulo e Barnabé, os Missionários dos Gentios
Eis Paulo e Barnabé, dois grandes missionários, exemplo para todos os missionários do mundo e para cada cristão. Apesar de todos os empecilhos e provações, nunca desistiram de ir ao encontro de seus irmãos judeus, prisioneiros da Lei; nem dos pagãos, a quem queriam abrir as portas da Igreja... As provações não lhes faltavam. As mais duras provinham das pessoas. Por todos os lados foram atacados. Os judeus, que recusavam reconhecer Jesus como Messias, ficavam furiosos, ao vê-los pregar o Evangelho nas sinagogas, e até na cidade de Jerusalém: eles os pressionavam por todo lado onde passavam. Faziam-nos deter, encarcerar, serem batidos a pauladas, flagelados, lapidados por vezes... Os cristãos, judeus convertidos, reclamavam por eles não ter primeiro “judaizado” os pagãos que aderiam à fé (impondo-lhes circuncisão, prescrições alimentares...), e os destruíam por detrás, difamando todo o trabalho missionário realizado por eles.
Saulo foi um devoto judeu que se tornou um dos mais célebres e importantes missionários dos gentios. Por sua vida agitada e movimentada, sua ação missionária arrojada e seus escritos magníficos, que são a base da doutrina teológica cristã, para muitos ele é considerado o fundador do Cristianismo como instituição peregrina e missionária. Paulo marcou fortemente a história, a doutrina e a vida da Igreja. A Igreja foi fundada por Cristo. Cristo é o fundador moral, afetivo e fundamental da Igreja; e São Paulo é o fundador do Cristianismo efetivo, sobre a “pedra rejeitada pelos construtores” (cf. Mt 21,42). Paulo nasceu em Társis, estudou em Jerusalém na juventude. Discípulo de Gamaliel, como ele mesmo afirma: “Fui instruído aos pés de Gamaliel, conforme a precisão da lei de nossos pais, sendo zeloso para com Deus, assim como os sois todos vós no dia de hoje” (cf At 22,3). Tornou-se mestre em Judaísmo e doutor em Sagradas Escrituras. O seu zelo pela religião consumia-o, o que o tornou um perseguidor feroz dos seguidores de Jesus Cristo. Enquanto perseguia os cristãos, fez a experiência de Cristo ressuscitado, na estrada de Damasco. Não escondia de ninguém a sua conversão e sua condição anterior, de perseguidor. “Mas Paulo lhe disse: ‘Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia; rogo-te que me permitas falar ao povo’” (At 21,39).
Cidade onde Paulo nasceu
Tarso é uma cidade que hoje está no sul da Turquia. Ela se localiza ao longo da costa de um rio que provê acesso para a costa do Mediterrâneo. Ao norte da cidade se erguem as montanhas Taurus. A estrada próxima de Tarso leva, através de uma passagem conhecida como Portões Cilicianos, para o interior do país. Nos tempos romanos a cidade era o lugar de encontro de Antônio e Cleópatra. A cidade também se tornou um importante centro de Filosofia. Paulo nasceu em Tarso, mas recebeu pelo menos parte de sua educação em Jerusalém. (cf At 22,3s).
Cidade onde foi instruído
Jerusalém tornou-se a capital do antigo Israel durante o reino de Davi, por volta do ano 1000 a.C. Nos tempos romanos ela permaneceu como cidade central para a vida dos Judeus.
Foi também em Jerusalém que Saulo, também conhecido pelo nome romano de Paulo, ouviu falar de Cristo e dos seus seguidores. Foi lá que testemunhou a morte do primeiro mártir cristão. Segundo Atos 7,58, foi Saulo que cuidou das vestes tiradas de Estêvão e colocadas aos seus pés, enquanto este era apedrejado. Neste contexto, podemos dizer que Paulo aprovou a morte de Estêvão. Fontes judaicas prescrevem apedrejamento como forma de punição de várias ofensas. Em casos de apostasia, a vítima do acusado lançava a primeira pedra, e a comunidade se juntava ao ato logo depois. (cf. Dt 13,6-11; 17,7).
Após o apedrejamento de Estêvão, Saulo de Tarso empreende uma grande perseguição contra a Igreja em Jerusalém, o que dispersou vários discípulos pelas regiões da Judeia e Samaria, chegando também o Evangelho à Fenícia, Chipre e Antioquia.
Enquanto Paulo estava indo perseguir cristãos em Damasco, viu uma luz vinda do céu e ouviu o Cristo ressuscitado. Cego, ele foi levado para a cidade, onde foi curado por um cristão chamado Ananias, e depois batizado. Alguns judeus em Damasco planejaram matar Paulo, mas ele fugiu, descendo dos muros da cidade dentro de um cesto. Ele foi para Jerusalém e, depois, para Tarso, sua cidade natal.
Alguns anos mais tarde, ele se tornou um mensageiro intrépido e corajoso do Evangelho. Trazido de Tarso por Barnabé para a Igreja de Antioquia, trabalhou nela por um tempo, ajudando a Igreja a se estabelecer na cidade. Lá o seu ministério o tornou mais convicto de sua Missão. Instruído no evangelho pela comunidade, o seu desejo agora era de perseguir não mais os cristãos, mas as metas do mandato de Cristo de “ir ao mundo inteiro e pregar o evangelho a todas as criaturas” (cf. Mc, 16,15).
A Cidade de Damasco
Damasco era a principal cidade da antiga Síria. Localizada na rota do comércio da Antiguidade, seu amplo suprimento de água fez dela uma importante cidade para o comércio e a agricultura. No primeiro século, Damasco estava sob o governo romano, mas, no tempo da conversão de Paulo, estava aparentemente sendo governada por um rei local, chamado Aretas (cf. 2Cor 11,32). Havia uma grande comunidade judia em Damasco. Alguns judeus cristãos, como Ananias, que ajudou Paulo, eram ligados à sinagoga de Damasco.
A Cidade de Antioquia
Antioquia foi o lugar onde os Cristãos começaram a fazer esforços para estender o Evangelho a não judeus. Barnabé trouxe Paulo de Tarso para Antioquia, para se juntar na evangelização dos gentios. Paulo e Barnabé também levaram a coleta de Antioquia para Jerusalém, onde havia fome.Antioquia foi a terceira maior cidade no Império Romano. Foi construída próxima à costa do Mediterrâneo, no lugar que fica hoje no sudeste da Turquia. A rua principal foi pavimentada com mármore e cercada por colunas. A população de Antioquia era composta de muitos povos, incluindo gregos e judeus. Pedro batizou gentios em Cesaréia (cf. At 10,47-48), mas o primeiro esforço para trazer não judeus ao Cristianismo teve lugar em Antioquia. Foi lá que os seguidores de Jesus foram primeiramente chamados de “cristãos”.
Barnabé
Ele foi um dos primeiros cristãos mencionados no Novo Testamento. Seus pais, Judeus helênicos da tribo de Levi. Sua tia foi a mãe de João Marcos (cf. Cl 4,10), amplamente reconhecido como quem se acreditava ter sido autor do Evangelho de Marcos. Os pais lhe deram o nome de José, mas quando ele vendeu todos os seus bens, e deu o dinheiro aos Apóstolos, em Jerusalém, eles lhe deram um novo nome: Barnabé, que parece ser de origem aramaica, o que significa (o filho do) profeta. No entanto, o texto grego dos Atos 4,36 explica o nome como “filho da exortação ou consolação”. Foi uma mudança muito significativa, pois durante o seu ministério ele sempre demonstrou ser um consolador, conselheiro e incentivador.
Homem comum, do povo, não tinha grandes qualidades de pregador, e não realizou obras fenomenais. Mas foi de suma importância para estabelecer o desenvolvimento do Cristianismo, porque soube investir na vida das pessoas, a exemplo de Cristo. Clemente de Alexandria presta-nos a informação de que Barnabé era um dos setenta discípulos.
Em outra passagem, Barnabé aparece à frente de Paulo na lista. Ambos são chamados de Apóstolos. (cf. At 14,14). Na Idade Média se discutiu se Barnabé foi ou não um Apóstolo. Parece que foi muito importante politicamente no tempo dos Apóstolos. Foi um dos primeiros profetas e professor da Igreja em Antioquia (cf. At 13,1). Em At 11,24, é chamado por Lucas, autor dos Atos, como um “bom homem”.
Era natural da Ilha de Chipre, onde possuía terras (cf. At 4,36-38), as quais vendeu, doando o dinheiro para a Igreja em Jerusalém. Quando Paulo regressou a Jerusalém, depois de sua conversão, Barnabé o levou até os Apóstolos (cf. At 9,27). É possível que eles tenham estudado juntos na escola de Gamaliel.
O crescimento da Igreja em Antioquia levou os Apóstolos e a comunidade em Jerusalém a enviar Barnabé para lá, a fim de acompanhá-la de perto. Ele achou o trabalho tão extenso e pesado, que foi a Tarso em busca de Paulo, para ajudá-los. Paulo retornou com ele para Antioquia, e trabalhou com ele durante um ano inteiro (cf. At 11,25-26). No final deste período, os dois foram enviados a Jerusalém (mais ou menos no ano 44 d.C.), com as contribuições que a Igreja de Antioquia havia feito para os membros mais pobres da comunidade de Jerusalém (cf. At 11,28-30). Algum tempo depois, retornaram levando João Marcos com eles. A Igreja de Antioquia nomeou-os missionários para Ásia Menor. Foi em Antioquia que Barnabé e Paulo foram escolhidos pelo Espírito Santo para a obra missionária. A Missão começou na terra natal de Barnabé, Chipre, em sua cidade, Pafos (cf. At 13,6). Após o ministério nesta cidade, partiram para Panfília, de onde João Marcos regressou a Jerusalém (cf. At 13,13). Por volta da sua próxima parada em Antioquia da Pisídia, Paulo aparentemente obteve proeminência no trabalho missionário, como as referências posteriores se referem à equipe como “Paulo e Barnabé”, e não mais “Barnabé e Paulo” (cf. At 13,42). Provavelmente devido à capacidade de falar de Paulo (cf. At 14,12).
Barnabé, Paulo e João Marcos retornaram a Jerusalém para a Assembléia Conciliar sobre a questão da circuncisão dos gentios na Igreja. A controvérsia sobre a circuncisão foi em grande parte resolvida pela inteligência e insistência de Paulo (At 15,1-2). Diante da autorização da inclusão dos pagãos ao regaço da Igreja, eles partiram para Antioquia, para levar a Boa-Noticia. Passado algum tempo em Antioquia, Paulo pediu a Barnabé para acompanhá-lo em outra viagem (cf. At 15,36). Porém, Barnabé quis levar o seu primo João Marcos novamente, o que foi recusado por Paulo, uma vez que ele os havia deixado na viagem anterior (cf. At 15,37-38). A disputa terminou por separar Paulo e Barnabé. Para Paulo, Marcos já havia falhado uma vez e não deveria ter outra chance. Mas Barnabé via em Marcos um grande potencial, e sabia que, se ele fosse abandonado ali, ele iria ficar desanimado, e não continuaria mais no ministério. Paulo seguiu sua viagem com Silas como seu companheiro, e percorreu a Síria e a Cilícia. Barnabé e João Marcos seguiram para Chipre, terra natal de ambos (cf. At 15,36-41). Assim, Barnabé preferiu se desligar de Paulo, que já tinha maturidade suficiente para seguir a Missão sozinho, e ficou com Marcos. Mais uma vez Barnabé tomou a decisão certa, pois Marcos, depois de ter sido treinado, foi de grande utilidade para a Igreja, e até mesmo para o próprio Paulo (cf. Cl 4,10). Lucas, a partir de então, não cita mais Barnabé nos Atos dos Apóstolos. Saiu de cena do livro de Lucas, mas não da Igreja, pois é sabido que ele continuou a trabalhar como missionário, até o martírio (cf. 1Cor 9,6).
Vida de Barnabé
Ele provavelmente ficou solteiro por toda vida (cf. 1Cor 9,5-6). É mencionado também em Gálatas 2,1.9 e 2,13. Foi seduzido por Pedro a separar-se dos cristãos gentios em Antioquia. Em Colossenses 4,10, aparece que Marcos foi, de fato, primo de Barnabé, e que Marcos foi companheiro de Paulo durante esforços missionários posteriores (ver também Filêmon 1,24). Mais tarde ainda, 2Tm 4,11 diz que Marcos era conhecido por Timóteo, e foi solicitado por Paulo durante seus últimos dias. Marcos também é visto com Pedro durante seus últimos anos (cf. 1Pd 5,13).
Sobre a sua morte não se sabe nada, como também não se conhece a sequência missionária depois da separação. Quando Barnabé foi à Síria e Salamina pregando o Evangelho, alguns judeus mais próximos se irritaram com o seu extraordinário sucesso, caíram sobre ele, quando estava ensinando na sinagoga, arrastam-no para fora, e o apedrejaram até a morte. João Marcos enterrou seu corpo em uma caverna, onde permaneceu até a época do imperador Zeno, no ano 485 d.C. Os restos mortais do missionário foram então transportados para o mosteiro construído em seu nome em Salamina (Chipre). Os restos mortais estão num túmulo construído para homenagear o grande missionário dos primórdios da Igreja. Ele é tido e venerado como o Santo Patrono de Chipre, e sua festa é celebrada dia 11 de junho.
Barnabé abriu caminho Missionário
Ele foi um líder eficaz, liderando a Igreja em Antioquia. A primeira viagem missionária, geralmente atribuída como de Paulo, certamente foi orientada e guiada por Barnabé, porque Paulo ainda era inexperiente. Ambos eram considerados como Apóstolos (cf. At 14,4). Possivelmente Barnabé liderou na primeira viagem. Mas os dois arriscaram a vida pelo Evangelho e por Cristo. Lucas o considera “um bom homem, cheio de fé e do Espírito Santo” (cf. At 11,24).
O melhor modo de conhecer Barnabé é pelas obras e pelo impacto que teve na vida das pessoas. Ele tomou Paulo, desligado dos outros Apóstolos, mais ou menos dez anos após o acontecimento da estrada de Damasco. Foi ele que introduziu Paulo na comunidade, e convenceu a todos que não era mais Saulo, o perseguidor. Barnabé mesmo recrutou Paulo para o trabalho em Antioquia, onde poderia desenvolver seu ministério e transmitir seu conhecimento teológico no ensino e na liderança.
Facilmente nos lembramos o que Paulo significou para a Igreja, mas raramente reconhecemos que Barnabé foi fundamental na Igreja nascente e missionária.
Barnabé significou muito na vida de Paulo, assim como para João Marcos. Ele não abandonou nem Paulo, nem João Marcos. Mas, como João era mais jovem e menos eficiente do que Paulo, Barnabé desejou permanecer com seu primo, porque sabia da capacidade e eficiência de Paulo, que tranquilamente poderia ser líder de uma nova equipe de missionários. Tanto é verdade, que o discípulo superou o mestre. O respeito mútuo entre Paulo e Barnabé explica que a solução foi escolhida por eles. Talvez Paulo tenha reconhecido que havia lugar para João Marcos, mesmo que não estivesse em seus planos. A solução serviu para dobrar o número de equipes, e contribuiu para o crescimento contínuo de João Marcos, além de trazer Silas para ser treinado a trabalhar como missionário.
Barnabé foi um cristão com letra maiúscula. Ele doou a sua riqueza para ajudar os carentes e as comunidades. Deixou sua casa, seus pais, seu conforto e segurança, para viajar a pé e de barco, para anunciar Cristo e seu Reino.
Embora Barnabé tivesse praticamente introduzido Paulo no ministério, humildemente ele ocupa uma posição de retaguarda, deixando Paulo assumir a liderança. Durante um bom tempo Barnabé acompanhou Paulo em viagens missionárias, estabelecendo e confirmando as Igrejas.
A Igreja precisa de missionários a exemplo de Barnabé e de Paulo. A Igreja é o corpo de Cristo, com seus membros, e não máquinas necessárias que funcionam engrenadas, mas sim corpo e sangue constituídos de pessoas. O que responde à seguinte pergunta: é mais importante a Missão ou os membros? Para Barnabé, ambos são importantes, porque são os próprios membros que constroem a Missão, e a Missão constrói a Igreja! Na Igreja há sempre lugar para um Barnabé, um Saulo de Tarso ou para um João Marcos.
A vida dos missionários às vezes tem seus fracassos e pecados, porque são aspectos humanos e divinos que se entrelaçam, unindo vida e fé. Paulo e os outros discípulos também passaram por fracassos e desânimos. Paulo voltou para Tarso, para recobrar forças e ânimo, e João Marcos regressou a Jerusalém, fracassado e em desgraça.
Muitas pessoas querem posições de frente, de destaque, para realizar obras que sejam notadas por todos, com sucesso estrondoso. Poucos querem ser missionários e ministros de retaguarda a exemplo de Barnabé, alguém que investe na vida e na fé de outras pessoas. Neste sentido reside o grande valor do ministério deste homem. Ele investiu muito na vida de Paulo, viu em Marcos um futuro. Foi ele que começou a levar o Evangelho aos gentios, fundando comunidades eclesiais que se tornaram importantes em toda história do Cristianismo.
A primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé
Paulo, como missionário, começou com Barnabé, que o buscou em Tarso para ajudá-lo em Antioquia. Esta comunidade selecionou Paulo e Barnabé para levar o Evangelho a novos lugares. Saindo de Antioquia, eles navegaram para Chipre, então se aventuraram para regiões que hoje são parte da Turquia. Foi a primeira comunidade eclesial a enviar um missionário institucional para o Evangelho ser levado a não judeus. Inspirados pelo Espírito Santo, orando, a comunidade impôs as mãos sobre ambos, autorizando-os a evangelizar em nome da Igreja (cf At 13,3). A comunidade de Antioquia era uma das mais importantes nos primeiros anos da Igreja florescente. Segundo Lucas, nos Atos 11,20, foi Antioquia que fez um esforço ímpar para expandir o Evangelho até outras pessoas.
A Ilha de Chipre
É a maior ilha do lado oriental do Mediterrâneo que foi dominado e controlado pelo Império Romano no 1° século d.C. Salamina era uma das principais cidades da ilha. Pafos era uma das maiores cidades de Chipre. Situada no lado leste da ilha, ela foi o centro administrativo romano para Chipre. Entre as divindades cultuadas em Pafos, estava Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Foi em Pafos que João Marcos deixou o grupo, e retornou a Jerusalém. Em Chipre havia uma significativa comunidade de judeus nos tempos de Paulo. João Marcos foi um judeu que se converteu ao Cristianismo e seguiu Barnabé e Paulo. Também foi nesta ilha que Barnabé foi martirizado.
Paulo, Barnabé e João Marcos atravessaram Chipre até a cidade de Pafos. Eles receberam uma favorável recepção do administrador romano de lá, mas encontraram resistência de um judeu mágico chamado Barjesus, também conhecido como Elimas. Em resposta, Paulo o feriu temporariamente com uma cegueira. (cf At 13,6-12).
Antioquia da Pisídia
Uma cidade no que é hoje a parte oeste da Turquia central. É confundida com Antioquia da Síria, de onde Paulo partiu. O imperador Augusto fez de Antioquia da Pisídia uma colônia romana em 25 a.C. A cidade era adornada de prédios devotados ao culto do imperador. Antioquia tinha uma sinagoga de judeus. Aqueles que se reuniam incluíam judeus e outros, que reverenciava o Deus de Israel, mas que não eram completamente convertidos ao Judaísmo (cf. At 13,16).
Paulo e Barnabé, deixando Chipre, seguem para Perge, cidade da região da Panfília, no sudeste da Ásia Menor. Perge era uma cidade bonita por causa dos impressionantes portais, torres, aqueduto e prédios públicos. A vida cultural era bastante desenvolvida, tendo como centro o teatro, apresentado no anfiteatro. Havia ginásios, adornados com estátuas e outras artes, dedicados ao imperador Cláudio. Em Antioquia da Pisídia, Paulo entrou na sinagoga e apresentou Jesus, à luz da história de Israel. A sua homilia não foi bem aceita por todos: embora alguns tenham sido favoráveis à sua mensagem, outros resistiram, e os Apóstolos tiveram de partir, mas os pagãos ficaram contentes de serem dignos do anúncio do Evangelho (cf. At 13,13-52). Paulo e Barnabé prosseguem sua viagem missionária para Icônio, Listra e Derbe, cidades da Galácia, pregando tanto em sinagogas, aos judeus, que aos gentios. Devido à cura de um paralítico de nascimento, Paulo e Barnabé são aclamados como encarnações de deuses greco-romanos pelos cidadãos superticiosos de Listra, e precisaram impedir as multidões de lhes oferecer sacrifícios. Depois disto, foram apedrejados, mas sobreviveram. Após fazer discipulos em Derbe, retornaram, promovendo novas comunidades, e elegeram seus presbíteros, deixando-lhes muitas recomendações.
A primeira viagem missionária teve lugar entre os anos 48 e 50.
A segunda viagem missionária de Paulo
Na segunda viagem, Silas foi companheiro de Paulo. O objetivo era duplo: supervisionar as igrejas da Galácia do Sul, que Paulo fundara juntamente com Barnabé na primeira viagem (cf At 15,36; 16,1-6; Gl 1,2), e abrir novas frentes de trabalho, ou seja, fundar mais Igrejas locais (v. 6). O Apóstolo não pretendia ir para a Europa; sua intenção era ir para a Ásia: “Foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia” (16,6). Depois Paulo tentou ir para a Bitínia, mas novamente foi impedido (16,7), sendo em seguida impulsionado a rumar para Trôade.
A segunda viagem missionária de Paulo ocorreu entre os anos de 51 a 53. Paulo recebe um aviso em uma visão sobrenatural em Trôade para atravessar para a Europa e pregar nas cidades da Macedônia e da Acaia.
O Apóstolo Paulo entra na Europa por Filipos, e visitou muitas cidades européias do mundo grego, durante a sua segunda viagem. Aqui mencionamos apenas as cidades nas quais ele fundou comunidades. Em Filipos, começou a Igreja na casa de Lídia. Lá ainda, Paulo foi preso e libertado milagrosamente à noite por meio de um terremoto. A causa da prisão foi a libertação da possessão demoníaca de uma escrava que fazia adivinhações. (cf. At 16.14,15,40); em Tessalônica, pregou na sinagoga (17,1,2); e da mesma forma em Beréia (17,10-12). Em Atenas anunciou na sinagoga, e depois continuou nas praças e no centro acadêmico da cidade, por fim no Areópago. Na cidade de Atenas, Paulo faz, então, um discurso no Areópago, na colina de Marte, mas poucos se convertem (17,17-19). Em Corinto, como sempre, evangelizou na sinagoga, onde foi expulso em seguida, e foi para a casa de Tito Justo, recebendo apoio de Crispo, principal da sinagoga, que se converteu. É na cidade de Corinto que Paulo funda uma importante Igreja, onde é ajudado por um casal de judeus, vindos de Roma, Áquila e Priscila, que também o ajudam até Éfeso (18,4-8).
A terceira viagem missionária de Paulo
A terceira viagem missionária tinha o propósito de visitar as Igrejas, para confirmar e fortalecer os discípulos (At 18,22s). Fez o mesmo caminho da segunda viagem: Galácia do Sul, região frígio-gálata, chegando a Éfeso, onde havia estado no fim de sua segunda viagem, ainda que tenha permanecido não mais do que três dias na cidade (18,19-21). Na terceira viagem encontrou um grupo de 12 novos convertidos, que conheciam apenas o batismo de João (19,1-7). Por esta cidade havia passado Apolo (18,24), que fora instruído por Áquila (18,26). Nesta ocasião, o Apóstolo ficou três anos na cidade (20,31). A viagem durou cerca de quatro anos (entre 53 e 57 d.C.).
A cidade de Éfeso era a Capital da província romana da Ásia, cidade mais importante da região e cruzamento de rotas comerciais. Nela estava o templo da deusa Diana (19,35), chamada pelos romanos de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Atualmente a cidade está em ruínas, e encontra-se localizada na região da Anatólia, Turquia.
Tal como nas Missões anteriores, Paulo sempre parte da Igreja de onde foi enviado, de Antioquia. Dali segue para Éfeso, passando por Tarso, Derbe, Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia. Na terceira viagem missionaria Paulo valoriza mais a comunidade de Éfeso, à qual dá mais atenção. Lá ocorrem alguns milagres, e o Apóstolo sofre oposição e perseguição por parte dos ourives que lucravam fabricando imagens da deusa Diana, causando grande alvoroço na cidade. Após os conflitos e confusão, Paulo segue para a Macedônia e a Acaia, onde também visita e confirma as comunidade que fundara.
Já de volta à Ásia, o Apóstolo reúne-se com a comunidade de Trôade. Nesta Igreja Paulo presencia um milagre de ressurreição, de um jovem que havía despencado da janela do terceiro andar ao adormecer durante o prolongado discurso proferido por Paulo. Em seguida desembarca em Mileto, onde tem um comovente encontro com os presbiteros da Igreja de Éfeso. Volta para Jerusalem, passando por Tiro e Cesaréia marítima. Na cidade santa, é preso.
A prisão de Paulo
O Apóstolo sabia que seria preso, mesmo assim seguiu até Jerusalém. A sua prisão causa grande confusão, porque as autoridades romanas em Jerusalém intervieram, evitando que Paulo fosse morto. Paulo apela para a sua cidadania romana, e assim se salva da morte e obtém algumas regalias, enquanto permanece em custódia, aguardando o julgamento. Isto o transferiu para a prisão de Cesaréia, sob os cuidados de Félix, governador da Judéia, perante o qual foi acusado pelos judeus de ter causado inquietação política e profanação do templo, entre outras coisas.
Preso por dois anos, Félix mantém em calma os judeus. Mas, quando Festo o substitui, vendo a situação do Apóstolo, quis transfirí-lo para Jerusalém, para ser julgado lá. Os judeus não concordaram com o proposto por Festo, e Paulo apela a Roma, como cidadão romano. A legislação romana premitia a um cidadão romano que não fosse criminoso comum apelar para o imperador, nos casos em não fosse tratado com justiça, tanto mais se a pessoa jamais tivesse sido condenada por um tribunal inferior. Festo entrega-o para ser submetido ao Rei Herodes Agripa II, isto depois de seu apelo ao imperador. Herodes considera que não há nenhum motivo para ser condenar Paulo, o qual não foi libertado, mas enviado a Roma.
A viagem de Paulo a Roma
Paulo foi levado a Roma numa viagem conturbada e cheia de aventuras, que ocorreu entre os anos 59 e 60. Mas ele não perdeu a oportunidade, e atua como um verdadeiro missionário juntos aos criminosos que estavam sendo transportados como prisioneiros no mesmo navio.
A viagem foi turbulenta e perigosa, porque o navio foi surpreendido por ventos fortes perto da Ilha de Creta. A tormenta enfretada fez que o navio se afastasse da ilha, e perto de outra ilha, Malta, naufragou. Paulo salvou muitas pessoas, ajudando-os a chegar às margens sãos e salvos. O Apóstolo permaneceu três meses na ilha, ocupado em curar os doentes. Foi picado por uma cobra, mas sobreviveu, sem sentir nenhum efeito do veneno, o que fez todos ficarem espantados. Os nativos e o povo consideravam o Apóstolo divino. Também em Malta, Paulo fundou um Igreja.
Mais tarde Paulo chega a Roma para a audiência com Nero. Enquanto espera o seu julgamento, fica em custódia domiciliar, por dois anos, pagando por sua própria conta o aluguel da casa, recebendo e atendendo os cristãos e outros irmãos em sua residencia (cf At 28,30). Ali recebe vários judeus, e lhes anuncia o Evangelho, entre os quais alguns crêem e outros não.
Lucas termina a história de Paulo em Roma, porque o seu projeto literário era justamente chegar à cidade eterna. Porque em Roma todas as nações se encontravam, e dali sairiam convertidos para levar a Boa-Nova de Cristo aos confins do mundo. Portanto, Lucas termina o livro com Paulo pregando o Evangelho na residência alugada. Não narra à morte de Paulo, porque o seu desejo literário foi comprido conforme anuncia nos Atos 1,8: “Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês , e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém , em toda a Judéia e Samaria , e até as extremidades da terra .” A história de Paulo não termina aqui. Seu caso foi examinado e ele foi absolvido. Nessa ocasião, diz-se que ele cumpriu seu desejo de pregar na Espanha (cf. Rm 15,28). Nas redondezas de Roma, fez um grande trabalho. A terceira viagem missionária de Paulo ocorre entre os anos de 54 a 57, e teve por objetivo fortalecer os discípulos nas novas igrejas na Ásia Menor e Grécia.
Conclusão
Na parabola do semeador, Cristo ensina que o campo é o mundo (cf. Mt 13,38). O missionário está no mundo, e, portanto, deve ir em todos os lugares. Ele não disse que o campo é Jerusalém, nem Roma, nem São Paulo, nem Brasilia, nem minha cidade ou a sua. O campo não é a cidade onde estamos, mas o mundo todo. O bom missionário é como Paulo e Barnabé, querem sempre fazer mais discipulos para Cristo, e isto implica em desistalar-se sempre, e sair para conhecer novos “campos” para semear. Muitos ainda acreditam que a sua cidade é o campo, do qual não querem sair, pelo contrário, não fazem nenhum esforço para incentivar Missões, permanecendo apáticos diante dos desafios missionários. Mas podem contribuir em três frentes com as Missões: incentivar os missionários, orar por eles, e com a cooperação material, ou seja, ajudar financeiramente, para os sustento dos missionários e da Missão.
No texto dos Atos (1,8) aparece “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia”. Isso não quer dizer que deve pregar primeiro em Jerusalém, depois na Judéia... e só então anunciar e testemunhar até “os confins da terra”, mas tanto em uma como em outra cidade ou lugar. Barnabé e Paulo entenderam logo o mandato de Cristo. Barnabé e Paulo obtiveram muitos resultados de suas viagens, estabelecendo muitas igrejas na Ásia e Europa, surgindo as epístolas, tornando o Cristianismo uma religião universal. Atos narra as viagens mais importantes dos primeiros missionários na história do Cristianismo. Esta é a receita das Missões e de todas as atividades de todo missionário, ou seja, de todo fiel cristão. O Papa João Paulo II foi um incansável missionario, a exemplo de São Paulo, Barnabé e outros tantos peregrinos da história da Igreja.