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A natureza missionária da Igreja e as circunstâncias atuais

de Estêvão Raschietti, sx

A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais” (DAp 11).

 

As circunstâncias atuais como sinais dos tempos?

A Igreja se encontra hoje numa situação de diáspora diante da fragmentação e da multi-culturalidade do mundo atual. A hegemonia das tradições religiosas em determinados territórios deixou lugar ao pluralismo possível, graças às encruzilhadas proporcionadas por tecnologias, mercados, mobilidades humanas e aglomerações urbanas. O catolicismo na América Latina perde porcentagens de supostos adeptos e assiste ao crescimento das igrejas pentecostais, assim como os ataques fundamentalistas contra cristãos no estado indiano de Orissa, parecem ter sido um claro sinal de crise do domínio sócio-cultural do hinduismo no país.1 Também no controverso e complexo mundo islâmico, se multiplicam sinais de abertura e de diálogo, e uma progressiva e significativa distância do integralismo terrorista.2

Nessa situação de efervescência, cidades e metrópoles substituíram aldeias em todos os continentes. Sabedorias populares e estruturas comunitárias deram lugar à autonomia e à liberdade das pessoas. A questão religiosa, no seu conjunto, se amplifica e se aprofunda diante dos desafios do mundo pós-moderno e globalizado (cf. DAp 37). Para a humanidade do século XXI, a religião torna-se sempre mais uma commodity, uma mercadoria para satisfazer as necessidades/desejos espirituais de sentido dos indivíduos, dispensando, porém, a adesão a uma comunidade e a afiliação a uma confissão.3

Numa realidade marcada por grandes e profundas mudanças, a Igreja procura encarar os desafios do mundo de hoje com uma atitude ambivalente: de um lado, positivamente, com confiança, atenção e escuta, discernindo os “sinais dos tempos em que Deus se manifesta” (DAp 366); por outro, com apreensão, frente “à desordem generalizada que se propaga por novas turbulências sociais e políticas, pela difusão de uma cultura distante e hostil à tradição cristã” (DAp 10).

 

Missão como caminho de conversão da Igreja

Seja como for, nesse contexto a Igreja sente a necessidade de intensificar seus esforços e de ampliar os âmbitos de ação de sua missão evangelizadora.4 Antigamente, no regime da societas perfecta, a missão (ad gentes) coincidia exatamente com a missão ad extra em territórios culturalmente não-cristãos. Era uma questão de “soberania” da Igreja em relação ao mundo fora da cristandade. Hoje a atividade missionária parece impor-se como realidade difusa também nos contextos de antiga tradição cristã. Contudo, ainda sobrevive um arquétipo missionário atrelado a uma visão etnocêntrica e eclesiocêntrica de “território” (geográfico ou simbólico), em que os destinatários da ação evangelizadora precisam ser “conquistados” ou “reconquistados” para serem reconduzidos aos cuidados da Igreja.

Por um lado, esse anseio de missionariedade corresponde a algo de absolutamente legítimo e oportuno. Por outro lado, se tem a impressão de estar lidando com uma “estrutura caduca” (DAp 365) sedimentada no profundo de nossa consciência eclesial, sem mais nenhuma eficácia apostólica e sem mais nenhuma proposta operativa convincente. Por esse motivo então, ao falar de missão da Igreja nas circunstâncias atuais, se faz necessário um discernimento fundamental que ajude a não confundir a fidelidade ao Senhor com a fixação em modelos historicamente limitados. Nesse sentido, a perspectiva conciliar sugere de desprender imediatamente nossa idéia de missão do conceito de território e de ação, para reencontrar sua profunda razão de ser no núcleo identitário da própria Igreja, e a partir daí, provocar uma profunda renovação da mesma.

Não é por acaso que a Redemptoris Missio fala da necessidade de uma “conversão radical de mentalidade” (de uma “metanóia”, portanto) para nos tornarmos missionários (cf. RMi 49). Por sua vez, o Documento de Aparecida afirma que “para nos converter numa Igreja cheia de ímpeto e audácia evangelizadora, temos que ser de novo evangelizados” (DAp 549). O tema da conversão, tão caro à teologia da missão, é, curiosamente, dirigido à própria Igreja e não ao mundo pagão. Porque motivo? Em que consiste, afinal, essa conversão?

 

A natureza missionária

Para tentar um caminho de compreensão, podemos partir sem dúvida da declaração conciliar de AG 2: “A Igreja peregrina é por sua natureza missionária, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai”. A primeira novidade está na palavra “natureza” que quer dizer “essência”: a Igreja é missionária por sua “essência”. Essa essência é a própria essência de Deus, porque “este desígnio brota do «amor fontal», isto é, da caridade de Deus Pai” (AG 2). Em outras palavras, a missão vem de Deus porque Deus é amor, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica, que sai de si já com a criação do mundo, e conseqüentemente ao pecado da humanidade, com a história da salvação para reintegrar as criaturas na vida plena do Reino. Esse transbordar histórico da Trindade Imanente foi chamado de Trindade histórico-salvífica que configura a missão de Deus (missio Dei). De alguma forma, o próprio Deus se auto-envia pela missão do Filho e do Espírito, através dos quais o próprio Pai se revela como amor (cf. Jo 14,9).5 Em suma, Deus é missão: a missão existe com Deus, diz respeito ao que Deus é e não, primeiramente, ao que Deus faz. Por tabela, a missão da Igreja não teria, a princípio, um seu por que, não surgiria de uma necessidade histórica de sobrevivência ou de domínio, mas é um impulso gratuito, de dentro para fora, que teria como origem a participação à vida divina (cf. DAp 348).

A segunda palavra mágica de AG 2 é “missionária”. A Igreja é por sua natureza missionária. Isso constitui uma revolução no próprio conceito de Igreja, que procede da missio Dei. Não é mais a Igreja que envia missionários em qualidade de “missionante”, mas é ela própria enviada como “missionária”. Seu envio não é conseqüência: é essência. A Igreja “é” ao ser enviada: se edifica em ordem à missão. Não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. A missão é antes de tudo: eis a mudança de paradigma. A eclesiologia, portanto, não precede a missiologia. A atividade missionária não é tanto uma ação da Igreja, mas é simplesmente a Igreja em ação. Ou como, diria Moltmann, “não é uma igreja que ‘tem’ uma missão, mas ao contrário, na missão de Cristo que se cria uma Igreja. Não é uma missão que deve ser compreendida a partir da Igreja, mas o contrário&6rdquo;.7 Nisso se define a própria identidade da Igreja.

 

Re-encantamento com o Evangelho

Esses fundamentos estão repletos de implicações na compreensão dos principais mistérios da fé e dos pilares fundantes da teologia da missão: a unicidade da salvação em Cristo e a necessidade da Igreja. Compreender a missão não como atividade, território ou necessidade histórica, mas como essência gratuita de Deus Amor e da Igreja peregrina, significa adoção de uma prática jesuana de proximidade aos outros e aos pobres, para comunicar vida em termos de humanidade, compaixão, gratuidade, fraternidade sem fronteiras como caminho de salvação. “Fora do dom da vida (acolhido e oferecido) e da fraternidade não há salvação”, diria o próprio Documento de Aparecida com outras palavras (cf. DAp 359 – 360).8

A essência missionária da Igreja diz respeito também à essência do Evangelho que vamos anunciar. Esse anúncio pode-se resumir no seguinte: Deus é Pai, nós somos seus filhos e filhas, irmãos e irmãs “de sangue”9 entre nós. Ponto. O Evangelho está todo aqui. Isso não é apenas uma noção, mas é algo de vivido por Jesus efetivamente numa prática de vida, e afetivamente numa relação intensamente carinhosa com Deus e com os irmãos: “Ele nos ensinou a orar dizendo ‘Abba’” (DAp 17). Podemos afirmar que o verdadeiro conteúdo da conversão missionária da Igreja consiste no surpreendente e profundo re-encantamento com a essência do Evangelho: aqui Deus revela em Jesus seu rosto profundamente humano e, nEle, a humanidade se encontra plena, reunida numa só família (cf. DAp 382).

A vida de Jesus aponta continuamente para essa perspectiva. A sua é uma maneira de encarar a realidade baseada numa peculiar experiência de Deus, uma ética que se fundamenta numa ótica: se acreditar que Deus é verdadeiramente Pai de todos, então os outros são meus irmãos. Todos os outros, ninguém excluído (cf. DAp 353).10

 

Hóspedes na casa dos outros

Esse anúncio leva continuamente a Igreja peregrina a desinstalar-se: “a Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres do Continente” (DAp 362). Se “missão” significa “envio”, todo envio pressupõe um deslocamento e uma saída: “trata-se de sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos, com ousadia e confiança (parrésia), à missão de toda a Igreja” (DAp 363). A conversão missionária da qual fala o Documento de Aparecida consiste substancialmente numa saída. Na saída de si, do círculo da própria comunidade e dos confins da própria terra, se realiza para a Igreja essa conversão. Paradoxalmente, é nessa saída peregrina que a Igreja encontra sua razão de ser e sua própria identidade.

Com efeito, ainda hoje, apesar de nossos esforços, somos tentados compreender a missão a partir de nós, a partir da Igreja plantada e não a partir de Deus que envia e se auto-envia. A missão consiste no seguinte: não podemos esperar que as pessoas venham a nós, precisamos nós sair ao encontro delas e anunciar-lhes a Boa Nova ali mesmo onde se encontram. Esse princípio parece quase óbvio. No entanto, na prática, a Igreja sempre teve a tentação de evangelizar os povos a partir de sua própria condição, permanecendo em seu lugar, a partir de sua própria cultura, enviando e delegando seus missionários, mas sem se envolver num movimento de saída e de inserção nas situações que desejavam evangelizar. Uma Igreja enviada é uma Igreja que está fora de casa, que faz a experiência radical do seguimento, do despojamento e da itinerância, como companheira dos pobres (cf. DA 398) e como hóspede na casa dos outros.

 

Três imagens

Nesta ótica fundamental toda realidade eclesial é chamada a abrir diferentes caminhos como expressão e participação numa única Missão. Nem toda atividade eclesial, porém, garante pura e simplesmente uma participação nesta missão. E também essa participação nunca é expressa com igual intensidade e com mesmas modalidades por cada atividade. As diferentes ramificações projetuais da missão, entre presença silenciosa e anúncio explícito até os confins do mundo, revelam carismas e ministérios a serviço da Missão que podem ser reconduzidos a três situações distintas: a missão ad gentes, propriamente dita, que se dirige a povos, grupos humanos, contextos sócio-culturais onde Cristo e seu Evangelho não são conhecidos; o cuidado pastoral, que se dirige às comunidades cristã já constituídas; e a nova evangelização, que tem como destinatários os cristãos culturais, batizados que perderam o sentido da fé e vivem uma vida distante da Igreja (cf. RMi 33).

Segundo o biblista canadense Marc Girard,11 estas três situações encontram inspiração em três metáforas evangélicas: o cuidado pastoral na imagem do Bom Pastor; a nova evangelização na imagem do Semeador; a missão ad gentes na imagem do Pescador. São missões que dizem respeito a uma progressão de espaços: o curral, o campo, o alto mar. Quanto maior o âmbito, maior a insegurança e o desafio. A primeira imagem é marcada pela proximidade pastoral. A segunda, pela gratuidade da ação do semeador, que semeia, mas não tem nenhum controle sobre a semente e seu crescimento (cf. Mc 4,26-29). A terceira, pela pura fé do pescador em lançar a rede num ambiente totalmente estranho e hostil, sem nenhuma certeza de apanhar alguma coisa.

Hoje uma Igreja local não pode perder de vista nenhuma das três situações. No entanto ainda temos uma visão de missão muito presa à pastoral. Os nossos bons pastores não saem para semear, menos ainda sabem lidar com o mar e com peixe. Muito menos são formados para isso. É preciso, portanto, ajudá-los a elaborar projetos missionários a partir de uma visão global de missão e com uma tensão fecunda entre os vários aspectos. Esses âmbitos podem ser entendidos como círculos concêntricos em ordem à extensão da missão, e também como tarefas que se implicam necessariamente uma com a outra.

 

Três caminhos

O Documento de Aparecida individua três possíveis caminhos em ordem às três situações de missão: a paróquia missionária (cf. DAp 173), a missão continental (cf. DAp 362) e a missão ad gentes “a partir de nossa pobreza” (cf.DAp 379). Quanto ao primeiro desafio, nos deparamos logo de cara com uma aporia: a paróquia nunca foi missionária e nem nasceu para ser missionária. Talvez isso sugere que a renovação possível não comece pelas estruturas mas pelas pessoas (cf. DAp 201). É curioso que os principais Documentos do Vaticano II nunca falam de paróquia. Ao contrário, para indicar a igreja visível, o Concílio usa a palavra “comunidade”. A comunidade é feita de pessoas e de relações. As pessoas têm coração, as estruturas não têm. O principal desafio pastoral é falar aos corações (cf. DAp 375) e criar diferentes experiências de pequenas comunidades missionárias, que em rede possam formar uma comunidade maior, uma paróquia missionária.

O segundo desafio surge da exigência de uma nova evangelização na América Latina e Caribe. Talvez por trás de excessivos alardes sobre a passagem de católicos para igrejas de outras denominações, pode estar uma idéia de sociedade e cultura cristã – e consequentemente de missão – baseada num modelo histórico de cristandade que talvez nunca existiu, nem aqui nem em outro lugar. Com efeito, a proposta parece-me não ter suscitado grandes entusiasmos, e logo se transformou num projeto de animação missionária para as igrejas locais, como deixa claramente entrever o documento do Celam.12 Objetivo é colocar a Igreja do continente “em estado de missão” (DA 213), porque “temos uma alta porcentagem de católicos sem consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã débil e vulnerável” (DA 286). Neste esforço, a Missão Continental poderia tornar-se também uma ocasião para promover uma inter-ajuda entre igrejas latino-americanas, de maneira que o Continente da esperança se torne de fato o Continente do amor (cf. DA 64; 128; 522; 537; 543).

Enfim, o Documento de Aparecida identifica inicialmente a missão ad gentes “a partir de nossa pobreza” no esquema clássico de missão ad extra (cf. DAp 379). Na realidade, pelo menos desde a Redemptoris Missio, o termo vem sendo usado para descrever a missão da Igreja em três frentes: geográfica (territórios culturalmente não cristãos); social (o mundo urbano, a juventude, os fenômenos sociais novos, as migrações, etc.); cultural (os areópagos das comunicações, da cultura, da política, da economia, etc.). Sendo assim, toda a terceira parte do Documento de Aparecida trata da missão ad gentes, apontando âmbitos e compromissos numa perspectiva latino-americana a partir da opção pelos pobres, tendo como horizonte universal a promoção da vida e o Reino de Deus. Contudo, a missão ad extra lembra que a missão ad gentes, na sua radicalidade e especificidade, “se exerce em territórios e grupos humanos bem delimitados” (RMi 37a), e que um contexto culturalmente não-cristão representa um desafio em alto mar, bem mais complexo e de primária importância em relação a outros já marcados por uma tradição cristã. Surpreendentemente, porém, o Documento de Aparecida nunca fala explicitamente de África e de Ásia em termo de compromisso missionário para a América Latina. Sem cultivar uma dimensão universal da missão, a Igreja no continente corre o risco de perder todo o sentido da missão, porque, num movimento centrípeto, encurva-se sobre si, perde sua catolicidade e por conseqüência o impulso apostólico.

 

Fé e caridade efetivamente vividas

O tema da missão vem propor uma profunda renovação espiritual da comunidade cristã, desde suas raízes até suas expressões concretas para um estado permanente de missão (cf. DAp 551). Nas circunstâncias atuais os cristãos são chamados a reencontrar o caminho da missão numa renovada visão dos mistérios da fé, como proposta do Evangelho para todos, procurando abrir clareiras ousadas no meio da humanidade e cultivando uma capacidade de dom em vista de uma generosa cooperação com o bem comum universal. A energia que a Igreja consegue colocar na sociedade mundial consiste naquela fé e naquela caridade efetivamente vividas, e não em qualquer soberania exterior exercida com meios puramente humanos. Portanto, fé e caridade efetivamente vividas capazes de criar relações novas na formação de comunidades e na missão com os pobres e com os outros: ad intra e ad extra como fosse o palpitar de diástole e sístole de um coração. Sim, porque, afinal, nossa missão não depende de novos projetos, de novo planos, de novas estratégias ou de novas receitas (cf. DAp 372). A missão, fundamentalmente, é uma questão de coração.

1 Cf. Kanjamala, Augustine. Orissa: uccidere i cristiani per fermare sviluppo e dignità di tribali e Dalit. Asianews, Roma, n. 212, p. 25, ago-set. 2008.

2 Temos sinais importantes que algo está mudando nas relações entre Islã e o cristianismo: a visita do do rei Abdallah ao Papa Bento XVI em novembro de 2007; o encontro inter-confessional de Meca (4-6 de junho de 2008) e o encontro inter-religiosos de Madri (16-18 de julho de 2008) convocados pelo próprio monarca saudita; a abertura de diversas igrejas nos Emirados Árabes e no Kuwait; a defesa dos cristãos por parte das organizações muçulmanas moderadas da Indonésia; o interesse dos mídias do Oriente Médio sobre os cristãos no Iraque. Cf. CERVELLERA, Bernardo. Libertà religiosa: difesa dalla società civile; dimenticata dagli stati. Asianews, Roma, n. 214, p. 3,  nov. 2008.

3 “Dentro da pastoral urbana [da Igreja], desaparece também a imagem tradicional de toda pastoral: a ovelha a ser guiada. As novas palavras-chaves de sua evangelização se tornam em vez disso as seguintes: autonomia em vez de obediência, participação também nas estruturas de decisão, diálogo em vez de imposição, escutar em vez de ordenar, amor em vez de ameaça com sanções, serviço em vez de poder, co-responsabilidade em vez de obediência cega”. BLANK, Renold J. Ovelhas ou protagonistas? A Igreja e a nova autonomia do laicato no século 21. São Paulo: Paulus, 2006, p. 26.

4 Cf. o capítulo IV da Redemptoris Missio: “Os imensos horizontes da missão ad gentes” (RMi 31 – 40).

5 Veja SUESS, Paulo. Missão como Caminho, Encontro, Partilha e Envio. Perspectiva, Desafios e Projetos. In:  Igreja no Brasil, tua vida é missão. I Congresso Missionário Nacional. Brasília: POM, 2003, pp. 54 – 55.

6 Cf. BOSCH, Missão transformadora. Mudança de paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo (RS): Sinodal, 2002, p. 446.

7 MOLTMANN, J. La Iglesia em la fuerza del Espíritu. Salamanca, 1978, p. 26.

8 Em DAp 359 encontramos “uma profunda lei da realidade: a vida se desenvolve plenamente na comunhão fraterna e justa”. Em DAp 360, “outra lei profunda da realidade: que a vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar a vida aos outros”. E conclui: “isso é, definitivamente, a missão”.

9 A expressão “de sangue” nos remete a uma anedota de Dom Hélder Câmara, contada por ele mesmo numa entrevista que encontramos no filme de Érica Bauer, "Dom Helder - O Santo Rebelde". Certa vez, o arcebispo de Recife teve que interceder junto a um lojista pedindo emprego para um “seu irmão”, um pobre pai de família. O lojista, depois de atender com muita solicitude ao pedido o bispo, percebeu logo de ter sido “enganado”. “O senhor me enrolou”, disse o empresário para Dom Hélder, “o homem não é seu irmão coisa nenhuma”. “Mas como ...”, respondeu o prelado: “filhos só por parte de pai, não são irmãos?”. O empresário retrucou: “Sim, eu sei o que o senhor quer dizer com isso: mas eu tinha entendido que eram irmãos de sangue”. “Pois é”, insistiu Dom Hélder, “o sangue que Cristo derramou para mim, derramou para ele também: então, somos irmãos de sangue”.

10 Cf. CNBB. Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. 2003 – 2006, 114  – 120

11 GIRARD, Marc. A missão da Igreja na aurora do novo milênio. São Paulo: Paulinas, 2000, p. 45-75.

12 “A missão que se realiza como fruto da Conferência de Aparecida deve, antes de tudo, animar a vocação missionária dos cristãos, fortalecer as raízes de sua fé e despertar a responsabilidade para que todas as comunidades cristãs ponham-se em estado de missão permanente” (MC 2).

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