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1º Congresso Missionário Asiático

   
 
Ir. Catarina Silva, SX, missionária brasileira na Tailândia
 
 
Pe. Daniel Lagni, Diretor Nacional das POM do Brasil, com crianças tailandesas presentes no Congresso
 
 
Participantes do Vietnã
 
 
 
Pe. Daniel com o Cardeal Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos

Contando a História de Jesus na Ásia
Chiang Mai (Tailândia)
18 a 22 de outubro de 2006

Promovido pela Federação das Conferências Episcopais da Ásia (Fabc), com a colaboração da Conferência dos Bispos Católicos da Tailândia e apoio da Congregação para a Evangelização dos Povos, realizou-se em Chiang Mai (Tailândia), de 18 a 22 de outubro, o 1º Congresso Missionário Asiático, um evento histórico para a Igreja na Ásia.

Estiveram representados 25 países asiáticos, além de diversos participantes de todo o mundo, no total de 1.047 congressistas, de cerca de 30 países. Das Américas, participaram na qualidade de observadores estrangeiros três Diretores Nacionais das Pontifícias Obras Missionárias: Pe. John E. Kozar (Estados Unidos), Pe. Guillermo Alberto Morales Martinez (México) e Pe. Daniel Lagni (Brasil).
O Papa Bento XVI nomeou o Cardeal Crescenzio Sepe, Arcebispo de Nápoles (Itália), “enviado papal extraordinário”. O Cardeal Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, presidiu a Celebração Eucarística de abertura.

O evento contou com a participação de cinco cardeais: além dos Cardeais Sepe e Dias, do Cardeal de Bangcoc (Tailândia), D. Michael Michai Kitbunchu, do Cardeal Ricardo Vidal, Arcebispo de Cebu (Filipinas) e do Cardeal Telesphore Toppo (Índia). Também esteve presente o Núncio Apostólico da Tailândia, D. Salvatore Pennacchio.

Em sintonia com o tema do Congresso – Contando a História de Jesus na Ásia. Vão e Contem-Lhes... (Mc 5,19) – cerca de 20 grupos de trabalho deram a todos os participantes oportunidade de partilhar suas experiências pessoais de fé e a história de Jesus em suas vidas, famílias e comunidades.
É significativo que este Congresso, concentrado no desejo de partilhar as próprias caminhadas de fé e de anúncio do Evangelho, tenha se realizado num país em que os católicos são 0,4 %, da população, ou seja, uma das menores Igrejas da Ásia, com 99% da população budista.

Missão na Ásia
Referindo-se ao tema do Congresso, D. Luis Antonio G. Tagle, Bispo de Imus, Filipinas, disse: “O Papa João Paulo II descreveu a Missão como partilha da luz da fé em Jesus, dom recebido e dom que deve ser doado aos povos da Ásia. Esta partilha pode se dar pela narração da história de Jesus. Contar histórias pode ser um meio criativo para compreender a Missão na Ásia, o continente cujas culturas e religiões estão enraizadas em histórias e epopéias milenares.”

Um desafio para as Igrejas na Ásia
Falando ao Congresso, o Pe. Saturnino Dias, de Goa (Índia), Secretário Executivo do Congresso, explicou que em “2006 estão presentes particulares motivações missionárias, celebra-se o 5° centenário do nascimento de São Francisco Xavier, Padroeiro das Missões, o 3° centenário da aprovação do Oratório de São Felipe Neri, em Goa (Índia), e o nascimento da primeira Sociedade de Vida Apostólica na Ásia, fundada pelo Bem-Aventurado Joseph Vaz, missionário da Ásia para a Ásia”.
Por essas razões, o primeiro Congresso Missionário Asiático “assume o particular significado de suscitar maior consciência missionária entre os fiéis, ajudando-os a aprofundar e testemunhar a fé cristã e proclamar Cristo ao mundo circunstante, como ocasião e desafio para todas as Igrejas asiáticas reverem e relançarem o próprio empenho na evangelização”.

Temas de aprofundamento
Cada dia do Congresso foi dedicado a um tema específico: A História de Jesus entre os Povos da Ásia (19 de outubro); A História de Jesus nas Religiões da Ásia (20 de outubro); A História de Jesus nas Culturas da Ásia (21 de outubro) e A história de Jesus na vida da Igreja na Ásia (22 de outubro, Dia Mundial das Missões). Foram realizados também trabalhos de grupo, seminários e testemunhos sobre a história e o percurso do Cristianismo no continente asiático.

Fortalecer o testemunho cristão no Continente
Além de celebrar a vida cristã na Ásia, o Congresso visou animar a consciência do mandato missionário da Igreja, fortalecer o anúncio e encontrar novos caminhos para contar a história de Jesus no continente asiático. Neste continente no qual teve lugar a história e a pessoa de Jesus, mas que ainda não o acolhe em plenitude. Trata-se de acolher o testemunho dos outros, ir além dos temores, timidezes e incertezas, para anunciar com entusiasmo a nossa fé.

D. Orlando Quevedo, Arcebispo de Cotobato (Filipinas) diz: “Cristo nasceu na Ásia, todavia a Igreja neste continente é uma pequena bandeira, que representa apenas 1,5% da população total”.

O Congresso não buscou responder à questão que se refere à necessidade ou não da evangelização, mas sim, como este anúncio possa ir ao encontro das exigências dos povos nesse continente. Como D. Quevedo destacou: “O anúncio deve ser realizado no respeito, na atenção e no diálogo com as outras religiões, com atenção também aos problemas que este imenso continente está vivendo, mas também com a coragem e a consciência do grande dom do qual os cristãos somos portadores.”

Desafios superados, um sonho realizado
A idéia deste Congresso nasceu há muito tempo: o Papa João Paulo II, tendo visto grande entusiasmo gerado por congressos continentais realizados na América Latina, havia expresso o desejo de que este evento eclesial pudesse apoiar a Missão também no continente mais populoso do mundo: a Ásia. Não obstante a boa acolhida daquela proposta, o caminho para este Congresso foi longo e repleto de desafios. As diversidades lingüísticas, culturais, e as distâncias dificultaram, mas não impediram sua realização. Nos dias de celebração e partilha, emergiram dos delegados que a mesma fé em Cristo e a esperança que dela brota podem ajudar a motivar no anúncio e na busca de linguagens e prioridades comuns, como única comunidade de fiéis, enriquecidos pela diversidade étnica, cultural e religiosa.

Indo além dos confins das próprias comunidades
O Congresso Missionário Asiático foi rico de presenças que ajudaram os delegados a irem além dos confins das próprias comunidades locais ou nacionais, para abraçar a dimensão universal da Igreja. Foi de grande encorajamento para todos os presentes receber notícias e confrontar-se com comunidades cristãs que vivem sua fé no silêncio, como fermento da sociedade. A presença de delegações de observadores do Líbano, de Israel e da Síria foi sinal de uma Igreja capaz de testemunhar a própria fé em Jesus Cristo, não obstante dificuldades, perigos e conflitos. Mas a riqueza e diversidade de proveniências, culturas e raças foram notadas também na lista dos delegados, na qual se destaca a presença de países de grande maioria islâmica, como Paquistão e Malásia, Indonésia ou de países da ex-União Soviética, como Uzbequistão, Cazaquistão, ou testemunhos de uma pequena comunidade cristã ainda nascente, como a da Mongólia, presente no Congresso com 14 delegados.

Este Congresso inspirou-se justamente na riqueza da diversidade, mas com a consciência de ser uma única Igreja. A participação não foi múltipla apenas em nacionalidades, mas também pelo fato que, dos 1.047 participantes, estavam 5 cardeais, 80 bispos e arcebispos, 385 sacerdotes, 190 religiosos/as e 398 leigos.

Uma delegação singular
A Evangelização na Mongólia é um evento extremamente recente. A Mongólia sempre foi um país fechado ao Evangelho, até 1992. Naquele ano, o governo convidou a Igreja Católica a estar presente. A intenção “era receber ajudas no campo social e estabelecer relações com o mundo ocidental”. Para a delegação mongol, o Congresso “representou uma ocasião única de se sentir parte de uma Igreja realmente universal, diante do exíguo número de cristãos presentes naquele país. Em uma população de cerca dois milhões e oitocentas mil pessoas, apenas 350 são católicas. Realmente, a Igreja Católica mongol é uma pequena semente, mas também um grande início, que pode contar com a presença de 9 congregações religiosas e 62 missionários, provenientes de 19 países.

A delegação mongol, composta por 1 bispo, 5 sacerdotes, 6 leigos e duas religiosas, estava “bem consciente da importância de se sentir acompanhada em seu caminho de fé e testemunho”. A grande oportunidade de encontrar outras pessoas da Ásia, de poder confrontar-se e compartilhar a própria fé, de se descobrir não mais sozinha, deu grande entusiasmo, sobretudo, àqueles que, cada dia, dão provas da própria opção de fé, num país onde ser mongol coincide com ser budistas ou xamanistas.

Algumas temáticas especiais
A atenção dos delegados concentrou-se também em algumas temáticas especiais, como o consumismo, o fenômeno das migrações, o diálogo inter-religioso e a juventude, em um continente em que os jovens com menos de 25 anos representam 50% da população.

53 milhões de migrantes asiáticos interpelam a Igreja
O fenômeno dos migrantes é um tema que interpela a Igreja na Ásia. Foi este o apelo da Dra. Maruja Ásis, filipina, aos delegados do 1° Congresso Missionário Asiático.

A Ásia é um continente fortemente interessado neste tema. Basta pensar, que de 191 milhões de pessoas que vivem fora de seus países, 53 milhões são asiáticos, com os indonésios, filipinos e vietnamitas estando na linha de frente desta classificação. Este movimento de massas populacionais interpela as Igrejas de origem e de destino. De fato, os imigrantes, quase sempre, são vistos como simples trabalhadores, e não como pessoas, com seus direitos inalienáveis. Muitas vezes, são tolerados como força de trabalho, mas não desejados como cidadãos plenos, membros da sociedade que os recebe. Para toda a Igreja, este fenômeno social é uma ocasião para reiterar que “na Igreja, ninguém é estrangeiro”.

Pós-Congresso: escrever páginas novas
O 1° Congresso Missionário Asiático concluiu seus trabalhos num clima de animação e desafios. O último dia da celebração, 22 de outubro, foi inteiramente centralizado nos testemunhos e na Celebração Eucarística conclusiva presidida pelo enviado especial do Papa, o Cardeal Crescenzio Sepe.

As orientações que a Fabc formulou dividem-se em três grandes direções: a vida de fé pessoal e comunitária, as outras religiões e a relação com as culturas.

Em nível pessoal e comunitário destaca-se que: nossa vida, nossa adesão ao Evangelho é a continuação, no rastro dos Atos dos Apóstolos. Em particular, são evidenciados alguns âmbitos de atenção para com os pobres, os sofredores, os migrantes, as mulheres e as crianças. Na conclusão desta parte, todas as comunidades foram convidadas a promover a participação do laicato, especialmente dos jovens, futuro da Igreja na Ásia.

Quanto às outras religiões, o compromisso é para um maior conhecimento recíproco, de modo a poder compreender e ler as “sementes do Verbo” presentes nas outras tradições religiosas. Recomenda-se introduzir programas especiais nas instituições culturais e nos seminários, de modo a incrementar a atitude à compreensão e ao respeito.

Em relação às diferentes culturas, o desafio é integrar os valores positivos presentes nas culturas asiáticas na vivência cristã cotidiana.

Sintetizando
Foi um congresso catequético-pastoral, que explorou um método único de evangelização: narrar histórias de fé compartilhada.

Fruto do grande encontro da Igreja na Ásia são as Orientações e Prioridades que os participantes identificaram e que se comprometem a concretizar, começando por fazer que a história de Jesus se torne vida no encontro pessoal com o Senhor Ressuscitado.

Fundamental é fazer das celebrações comunitárias, especialmente da Eucaristia, valiosos momentos de encontro nos quais a história de Jesus se torna viva por meio dos símbolos utilizados na liturgia. Promover a participação dos leigos, especialmente dos jovens, proclamar Jesus, particularmente mediante o testemunho, como elemento distintivo da identidade missionária, viver e promover uma espiritualidade de diálogo com os povos da Ásia, são fatores vitais.

Resultado do 1° Congresso Missionário Asiático é também que se reconheça como prioridade desenvolver atitudes positivas de compreensão e respeito a outras religiões.
Os congressistas assumem igualmente integrar os valores culturais positivos da Ásia na vida cristã, seguindo os passos sugeridos na exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Asia (de João Paulo II), assim como introduzir, com uma adequada catequese, a inculturação da fé cristã. E pedem a cada Conferência Episcopal asiática que se torne eco deste grande Congresso, dando-lhe seguimento em outros no âmbito nacional ou regional.

O 1° Congresso Missionário da Ásia surgiu como resposta a uma intuição de João Paulo II. Ao inaugurar a Ecclesia in Asia (6 de novembro de 1999) dizia: “Como no primeiro milênio a cruz foi plantada na Europa e no segundo milênio na América e África, assim, que no terceiro milênio se possa ter uma grande colheita de fé neste continente tão vasto e com tanta vitalidade.”

Os momentos mais importantes deste 1° Congresso Missionário Asiático foram recolhidos em um DVD, que poderá ser solicitado por meio da sala de comunicação da Conferência Episcopal da Tailândia: http://www.catholic.or.th

Site do Congresso: http://www.fabc.org/asian_mission_congress/amc.htm

 

1º Congresso Missionário Asiático
Chiang Mai (Tailândia)
19 a 22 de outubro de 2006

Orientações e Prioridades para a Ação Missionária

Os participantes do 1° Congresso Missionário Asiático, impelidos pela experiência que fizemos, identificamos as seguintes importantes áreas de interesse que consideramos serem prioridades para nossa tarefa missionária na Ásia, e comprometemo-nos a realizá-las:

A história de Jesus em nossas vidas

Nós faremos com que a história de Jesus aconteça mediante nosso encontro pessoal com o Senhor Ressuscitado por meio de:

  • estudo mais aprofundado e vivenciado da Palavra de Deus, de forma que a força da história de Jesus transforme nossas vidas;
  • cultivando o hábito de reconhecer a história de Jesus em nossas vidas pessoais, em todas as nossas vivências, particularmente em nossos esforços e sofrimentos, alegrias e tristezas;

  • fazendo das celebrações da comunidade, especialmente da Eucaristia, momentos intensos nos quais a história de Jesus reviva nos símbolos usados na liturgia (o partir do Pão, etc.);

  • cultivando atitudes e valores de humildade e abertura diante do mistério de Deus que age nos povos da Ásia, especialmente nos que sofrem, como os pobres, os marginalizados, os trabalhadores migrantes, os doentes, as mulheres e crianças;

  • promovendo a participação dos leigos, especialmente dos jovens, que são o futuro da Igreja na Ásia;

  • anunciando Jesus, especialmente com o testemunho como marca distintiva de nossa identidade missionária, bem como mediante os meios locais e próprios da tecnologia moderna;

  • vivendo e promovendo a espiritualidade do diálogo de vida com os povos da Ásia;

  • aprendendo a reconhecer a presença da história de Jesus nas histórias de traumas, exclusões, sofrimentos e pobreza, bem como em suas outras variadas experiências de vida;

  • aprendendo a arte de ouvir, esperando o momento oportuno para partilhar a história de Jesus como dom de Deus para a plenitude de vida.

 

A história de Jesus nos Povos de outras Convicções Religiosas

Nós queremos:

  • reconhecer nossa ignorância e preconceitos (individuais e coletivos) dando passos concretos para informar-nos sobre as outras tradições religiosas;

  • desenvolver em nossas instituições educacionais e de formação, especialmente em nossos seminários, atitudes positivas de compreensão e respeito para com outras religiões, especialmente com o envolvimento de Comunidades Eclesiais de Base;

  • formar as famílias para crescerem em abertura e humilde atitude com relação aos mistério de Deus nas outras religiões;

  • fazer esforços similares para dissipar desentendimentos e preconceitos de pessoas de outras convicções religiosas para com a fé e prática cristãs;

  • oferecer uma atenção pastoral mais efetiva para com os casamentos mistos ou outras situações inter-religiosas.

 

A história de Jesus nas culturas da Ásia

Nós queremos:

  • integrar os valores culturais positivos da Ásia na nossa vida cristã, como mencionado na Ecclesia in Asia – em âmbito pessoal e coletivo – tanto mais quando tais valores tenham sido corroídos pelo consumismo, materialismo e outras forças, com o apoio da mídia e do mercado;

  • promover a cultura do serviço, compaixão, disciplina de vida, meditação, silêncio, simplicidade, reconciliação e harmonia;

  • dar passos concretos para integrar festividades locais e formas culturais de expressão, como a dança e música, artes plásticas e arquitetura;

  • introduzir mediante uma adequada catequese a inculturação em todos os níveis de nossas vidas, de forma que possamos efetivamente apresentar a face asiática de Jesus aos nossos irmãos e irmãs da Ásia;
  • fazer das Comunidades Eclesiais de Base instrumentos efetivos de evangelização, inculturação e diálogo inter-religioso.

 

Continuidade

Pedimos que cada conferência episcopal organize Congressos Missionários nacionais/regionais, de modo a promover renovado sentido da Missão de Contar a história de Jesus de modo asiático aos povos da Ásia. Esperamos que tal procedimento, entre outros, venha revitalizar nosso dinamismo missionário, com sensível urgência e espírito de entusiasmo e alegria. Para que Ele esteja realmente ressuscitado e vivo na Ásia!


Mensagem do 1º Congresso Missionário Asiático
Contando a História de Jesus na Ásia
Chiang Mai (Tailândia)
19 a 22 de outubro de 2006

 Jesus vive! Cristo ressuscitou! Nosso Salvador está conosco; sua vida é nossa vida. Estas afirmações tomam nossos sentimentos, como participantes do Congresso Missionário Asiático 2006. Reunidos na Tailândia, de 18 a 22 de outubro de 2006, expressamos o mesmo entusiasmo da fé dos primeiros discípulos de Cristo, que proclamaram: “Eu vi o Senhor” (Jo 20,18); “É o Senhor” (Jo 21,7); “Realmente o Senhor ressuscitou” (Lc 24,34); “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Os primeiros discípulos exultaram: seu amigo, seu mestre, seu profeta, seu médico compassivo, seu amado, estava, milagrosamente, misteriosamente, vivo. Medo e frustração, sofrimento e desolação, tornam-se fé e júbilo. Quem poderia ter esperado? Quem poderia ter sonhado?

Jesus dirige-se pessoalmente aos seus seguidores. Chama-os pelo nome: Maria Madalena, Tomé, Pedro, Tiago, João. Eles o reconhecem. Ele fala palavras de paz e de reconciliação. Os descrentes discípulos são transformados. Agora, Jesus, o Crucificado-Ressuscitado, expande as dimensões da fé deles. Desafia-os a ir além-fronteiras. Envia-os em Missão: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura!” (Mc 16,15); “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19); “Vós sois as testemunhas destas coisas” (Lc 24,48); “Como o Pai me enviou também eu vos envio” (Jo 20,21). E assim os discípulos partiram para contar a história de Jesus. Eles vão a lugares próximos e distantes: Tiago para Jerusalém, Pedro e Paulo para Roma, Tomé para a Índia. Realmente, encontrar o Senhor Ressuscitado é para ser enviados em Missão.

Na benevolente providência de Deus, mais de mil discípulos contemporâneos de Jesus reunidos para o primeiro, em absoluto, Congresso Missionário Asiático. Um hotel espaçoso, amplo, em Chiang Mai, norte da Tailândia, tornou-se o Novo Lugar Superior [New Upper Room]. Reunimo-nos para compartilhar nossa experiência, contar nossas histórias, encontrar outros discípulos do vasto continente asiático, do Líbano ao Japão, do Casaquistão à Mongólia e à Indonésia. Ouvimos histórias inspiradoras, por demais numerosas para contar, histórias de vida, fé, heroísmo, serviço, oração, diálogo, e anúncio. Fomos tomados por um contagiante estado de alegria. Ninguém duvidou da presença ativa do providente Espírito de Deus. Juntos celebramos nossa fé e nossa vida como discípulos de Jesus ao compartilhar, escutar, orar, celebrar a Eucaristia. A multiplicidade de culturas e linguagens deram luz e cor à celebração de nossa fé comum.

Este congresso pastoral-catequético aprofundou o método único de evangelização: contando histórias ou partilhando a fé. Escutamos narrativas sobre idosos, famílias, juventude, crianças e mulheres, CEBs. Ouvimos expectativas quanto ao Islã, ao Budismo, ao Hinduísmo e religiões tribais. Contextos contemporâneos foram destacados: consumismo, meios de comunicação, migrantes e diálogo inter-religioso. Quão significativos são eles para a Missão evangelizadora no contexto presente de conflitos étnicos e tensões religiosas!

A História de Jesus era o único fio tecendo todas estas experiências de vida em uma grande narrativa. Todas as cores, as pessoas, linguagens, culturas, valores, religiões e artes dos povos da Ásia formaram uma tapeçaria grandiosa. Senhor, como são maravilhosos os seus caminhos! Quão profundos os seus desígnios!

O mundo está cheio de histórias. A vida humana é inimaginável sem histórias. As histórias contam-nos quem somos nós e ligam-nos com outras pessoas de toda a Ásia e mesmo de todo o mundo. Por meio delas nós exploramos as dimensões mais profundas da vida, incluindo o mistério do nosso próprio ser. As histórias tocam nossas vidas e nossa fé. Transformam pontos de vista e valores. Formam comunidade. As histórias contêm um dinamismo escondido e um poder transformador, incalculável então quando emergem de experiência. São lembradas por muito mais tempo que lições aprendidas na escola ou pela leitura de livros. Jesus era conhecido como o contador de histórias. Como um mestre, um professor, seu método favorito de ensino era contar parábolas, cheias de fatos que revelavam as profundidades de Reino do Deus. Quem não conhece a parábola do Bom Samaritano ou do Filho Pródigo? As parábolas de Jesus desafiam-nos com novas possibilidades em nossas relações com Deus e com todos os nossos irmãos e irmãs. Muitos talvez pensem de Jesus, que nasceu na Ásia, como meramente um dos grandes mestres asiáticos de sabedoria, tal como Confúcio, Lao-Tzé e Gandhi. Mas, mais maravilhosamente, nós cristãos acreditamos que Jesus é o Deus que tornou-se Homem, enviado pelo Pai. É história de amor de Deus na carne – a História de Deus feita carne. O Congresso Missionário Asiático procurou encarnar muitos dos desafios presentes na Ecclesia in Asia (EA), do Papa João Paulo II: "Métodos narrativos segundo as formas culturais asiáticas devem ser preferidos. Com efeito, o anúncio de Jesus Cristo pode ser feito com mais eficiência, narrando sua história, como os Evangelhos fazem" (EA 20f). O Papa João Paulo II recomenda seguir "uma pedagogia evocativa, usando histórias, parábolas e símbolos, tão característicos da metodologia asiática de ensino" (EA 20g).

As Igrejas locais na Ásia podem ser fiéis ao mandado missionário de Cristo, contando e recontando a história de Jesus com palavras e ações efetivas de serviço. Repetidamente a Igreja comunica sua fé que tem origem na sua experiência de Jesus. O Espírito Santo, o Grande Contador de Histórias, guia a Igreja em todas as situações para contar, especialmente mediante o testemunho de uma vida transformada: “O que nós ouvimos, o que nós vimos com nossos olhos, o que nós percebemos e tocamos com nossas mãos”, não é outra coisa senão “a Palavra de Vida” (cf. 1Jo 1,1). Missão significa tornar viva a história de Jesus, formando comunidade, demonstrando compaixão, ajudando o “outro”, carregando a Cruz, testemunhando a pessoa viva de Jesus.

Os discípulos no caminho de Emaús comentaram: “Nós não sentíamos nossos corações arderem quando ele nos falava no caminho e nos explicava as escrituras (Lc 24,32)?” Para nós, o caminho para Chiang Mai deu início ao nosso caminho de Emaús. No Congresso Missionário nós partilhamos nossas experiências de fé. Histórias de Bangladesh e Hong Kong, da Tailândia e da China, do Japão e do Nepal – de todos os cantos do continente asiático – inflamaram nossos corações. Ecos da Ecclesia in Asia ressoaram intensos: “Um fogo só pode ser acesso por algo que está imerso no fogo” (EA 23b). A Igreja na Ásia deve ser “uma comunidade inflamada de ardor missionário, para tornar Jesus conhecido, amado e seguido” (EA 19a). Jesus ateia fogo sobre a terra e pede que seja chamejante (cf. Lc 12:49). “A Igreja na Ásia partilha seu ardor para que este fogo seja reaceso agora” (EA 18c). Nós sabemos que nosso Congresso Missionário 2006, promovido pela Federação das Conferências Episcopais da Ásia e seu Departamento de Evangelização, graças ao Espírito Santo, foi capaz de incendiar muitos corações.

O Congresso Missionário Asiático, especialmente o intercâmbio de nossas histórias de fé, deu-nos novas perspectivas para nossa tarefa de dialogar com pessoas (especialmente os pobres), as religiões e as culturas da Ásia (cf. Fabc V: 3.1.2). As histórias do pobre da Ásia hoje (mendigos, pessoas que vivem com aids, migrantes, os excluídos) precisam ser lidas com a história de Jesus e seu Mistério Pascal. Muitas religiões veneráveis da Ásia podem ser vistas dentro do desígnio universal de salvação de Deus, “que todos sejam salvos” (1Tm 2,4). As riquezas das culturas da Ásia podem ser o veículo mais adequado para comunicar a história de Jesus. Esta tarefa “tem particular urgência hoje na situação multiétnica, multirreligiosa e multicultural da Ásia” (EA 21b). O inspirado “tríplice diálogo” promovido pela Fabc por mais de três décadas pode ser fomentado com “novos e surpreendentes caminhos” (EA 20f), um dos quais é a troca de dons por meio da partilha das nossas histórias de vida.
Neste 1° Congresso Missionário Asiático nós redescobrimos a “alegria da evangelização”, soando verdadeiras as palavras do Papa Paulo VI: uma Missão efetiva deve ser realizada “com sempre crescente amor, fervor e alegria” (Evangelii Nuntiandi, 1). Os discípulos de Jesus precisam “proclamar com alegria a Boa-Nova que viemos a conhecer pela graça do Senhor” (EN 80).

Nós, participantes do Congresso, comprometemo-nos a levar de volta a nossas comunidades novos aprofundamentos na história de Jesus, particularmente em sua dimensão asiática. Queremos permanecer inflamados, prontos a levar de volta histórias cheias de vida e inspiradoras, que podem acender a chama da Missão em corações jovens. Desejamos seguir as palavras de Jesus para a pessoa plenificada (a passagem da Escritura que nós adotamos no Congresso): “Vai para casa, para junto dos teus, e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti” (Mc 5,19).
Queremos fazer uma evangelização de forma asiática, de forma evocativa pelas histórias, parábolas e símbolos, um método característico da pedagogia asiática, como o Papa João Paulo II disse com tanto acerto. É, portanto, um caminho de partilha de nossa fé com outros, um autêntico caminho de diálogo. No entanto, nós que acreditamos nesta forma especial de evangelização, também “não ficaremos intimidados quando Deus nos abrir a porta para proclamarmos explicitamente o Senhor Jesus Cristo como o Salvador e a resposta às questões fundamentais da existência humana” (Fabc V: 4.3).
Neste Dia Mundial das Missões, agradecemos o Senhor da messe pelos inúmeros missionários que vieram servir na Ásia ao longo dos séculos. Recomendamos confiantes ao amor e proteção do Senhor os milhares de asiáticos que agora servem em várias partes do globo.

Pedimos a Maria, nossa Mãe e Estrela da Evangelização, que interceda por nós, para que nossos corações continuem inflamados com o amor de Jesus, seu Filho, cuja história possamos contar e recontar com palavras, ações e o testemunho de nossas vidas.