Padres missionários pedem ajuda ao povo de Togo, na África

Padres missionários pedem ajuda ao povo de Togo, na África

Situada na África Ocidental, no Golfo da Guiné, a população de Togo luta pela democracia, em um país que é governado há mais de 50 anos pela família Gnassingbé. Esta ditadura está deixando consequências graves na vida do povo: a pobreza, o medo, a resignação, a corrupção, a perda da dignidade humana e o exílio de togoleses que reclamam seus direitos.

togoNesta segunda, foi divulgada uma carta-manifesto dos padres missionários combonianos togoleses no Brasil, buscando sensibilizar toda a população e autoridades mundiais a respeito das dificuldades vividas pelo povo de Togo. Junto com a carta, publicamos o vídeo com relato de Pe. Agostinho, missionário comboniano, natural do Togo, e que relata os acontecimentos que tem trazido sofrimento ao povo, fazendo seu pedido de socorro.

Confira abaixo o vídeo de Pe. Agostinho e o texto na íntegra:

 

O Povo Togolês grita socorro para os homens e mulheres de boa vontade

Um pequeno país na costa oeste da África, Togo é um estado atípico da sub-região. Este território é um pedaço de terra na forma de um retângulo de 56.600 km² localizado no Golfo da Guinéa, com uma população de quase 7 milhões de habitantes. É delimitada ao norte pelo Burkina Faso, ao sul por uma costa de 50 km do Oceano Atlântico, a oeste pelo Gana e a leste pelo Benim. Sua capital é a cidade de Lomé.

Historicamente, o Togo foi uma ex-colônia alemã de 1884 a 1914, reputadamente muito próspera. Após a vitória aliada sobre os Alemães, o Togo foi dividido em dois, e as partes foram confiadas aos vencedores: a Inglaterra recebeu a parte muito rica do país e a juntou ao Gana, outra colônia inglesa; A parte correspondente ao presente Togo foi confiada à França, que a administrou sob o mandato da SDN, o precursor das Nações Unidas. Em 1960, o Togo ganhou a independência sob a liderança do primeiro presidente do país, o economista Sylvanus OLYMPIO.

No dia 13 de janeiro de 1963, um golpe de Estado, o primeiro na África, interveio em Togo, organizado pela França e executado por soldados de origem togolesa. O presidente OLYMPIO foi morto, seu assassinato foi reivindicado por aquele que foi apresentado como o líder, o sargento-chefe Etienne Eyadema Gnassingbe.

Para consolidar esse status, um sistema de governança muito oligárquico foi organizado em torno da família Gnassingbé e das Forças Armadas que controlavam tudo. O exército é o corpo para proteger o sistema. Divisões e desigualdades são usadas para controlar as populações. Todos aqueles que criticam o sistema, que exigem mais liberdade e dignidade, são caçados, emprisionados, empurrados para o exílio, ou mortos.

A Igreja Católica, que por muito tempo constituiu uma certa força moral, encontrou-se comprometida, já sob o episcopado do primeiro arcebispo togolês, Mons. Robert Dosseh, um dos poucos bispos negros africanos que participaram do Concílio Vaticano II. O próprio clero foi dividido, a favor ou contra o sistema, incapaz de realizar uma leitura doutrinária inequívoca da situação sociopolítica do país.

Todavia, Mons. Philippe Kpodzro, o bispo da Diocese de Atakpame, foi escolhido por toda a classe política, com a aprovação da população e a autorização da Santa Sé, a presidir a Conferência Nacional Soberana, que deu origem a uma nova Constituição conhecida como a do 1992. Essa limitou o número de mandatos do presidente da república para máximo dois consecutivos.

Após 38 anos no poder, o presidente morreu e o filho Faure Gnassingbe foi imposto pelo exército como presidente da República. Sob a liderança do Mons. Filippe F. Kpodzro, agora arcebispo de Lomé, houve uma marcha de protesto reclamando a justiça e o respeito dos direitos humanos e da Constituição e da democracia. As eleições foram organizadas e o príncipe se declarou vencedor, e assim vai até hoje. Mas, diante do perigo de morte, foi forçado ao exílio.

A última eleição presidencial data dia 22 de fevereiro de 2020. Conforme diversas fontes, também nesse caso houve fraudes e muitas irregularidades, como atesta declaração da Conferência dos Bispos do Togo no dia 1 março 2020. O Dr. Gabriel Agbeyome Kodjo, candidato representando a maior parte da oposição, que se reclama o verdadeiro eleito pelo Povo soberano, foi preso junto com sua família e partidários nas condições violentas e desumanizantes, conforme descrito por iciLome, 22 abril 2020. Ainda hoje, o candidato está sendo procurado para ser preso de novo.

A decepção do povo é grande, por não saber mais o que fazer. Os primeiros meses da tomada de posse do quarto mandato são marcados pelo homicídio de várias pessoas, começando por alguns membros do exército, que não estão concordando com este sistema sem coração. A ditadura cinquentenária está deixando consequências graves na vida do povo: a pobreza, o medo, a resignação, a corrupção, a perda da dignidade humana e o exílio de togoleses que reclamam seus direitos. A privatização das infraestruturas, a negação dos direitos elementares (saúde, escola, liberdade de expressão, …) estão piorando a miséria do povo.

Por tudo isso, clamamos aos homens e mulheres de boa vontade para darem sua contribuição na luta contra esta escravidão moderna, apoiar os anelos do povo togolês por liberdade e democracia e fazer pressão sobre o governo francês, que está amparando o sistema ditatorial em Togo.

27 de julho de 2020.
Padres missionários combonianos togoleses no Brasil

Foto: DW

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