No caminho da beatificação: Paulina Jaricot e a realidade de seu tempo

No caminho da beatificação: Paulina Jaricot e a realidade de seu tempo

Iniciamos hoje a publicação de uma série de artigos que preparam o caminho para a beatificação de Paulina Jaricot, fundadora da Pontifícia Obra da Propagação da Fé. Nesta semana em que celebramos a vocação dos ministérios leigos, Paulina Jaricot vem apresentar ao mundo sua vocação para a missão.

O Vaticano anunciou em 26 de maio de 2020 o reconhecimento de um milagre atribuído a Pauline Jaricot (1799-1862), abrindo caminho para sua beatificação. Leiga, esta figura de Lyon (França), do século XIX, está na origem das Pontifícias Obras Missionárias.

A diocese de Lyon apoia a causa de Pauline Jaricot desde 1930. Quase cem anos depois, os descendentes da futura bem-aventurada e aqueles que mantêm sua memória viva veem sua devoção se concretizar.

“Congratulamo-nos com esta beatificação com grande alegria, grande entusiasmo. Pauline Jaricot tem muito a dizer sobre o nosso tempo; ela soprou espiritualidade para a sociedade”, explica Gaëtan Boucharlat de Chazotte, vice-presidente dos “Amigos de Pauline Jaricot”.

Sua casa ainda testemunha
Em Lyon, na colina de Fourvière, sua casa, após reforma, permanece intacta, os visitantes podem até visitar o quarto em que Pauline Jaricot morreu, em 1862.

O local, chamado Maison de Lorette, foi adquirido por ela em 1831. Ela comprou todas as terras ao redor do pequeno santuário para instalar comunidades religiosas. Na época, a basílica ainda não tinha vista para a cidade, mas “sem ela, Fourvière não seria Fourvière”, diz Gaëtan Boucharlat de Chazotte.

Uma mulher carismática
O nome de Pauline Jaricot ressoa além de Lyon. Em 1822, para apoiar os missionários, ela lançou as bases da Obra da Propagação da Fé, cujo objetivo é simples: cada doador se compromete a convencer outros dez doadores a apoiar financeiramente os missionários e assim por diante.

O movimento assumiu uma dimensão internacional e está na origem das Pontifícias Obras Missionárias. Pauline também criou o Rosário Vivo. Através dessa iniciativa, ela convidou os cristãos a recitar o rosário, em pequenos grupos.

Seu espírito empreendedor, mais inovador que místico, e suas habilidades interpessoais permitiram reunir milhares de pessoas e tornar a fé ativa, como ela tanto desejava. Gaëtan Boucharlat de Chazotte a descreve como uma mulher de grande carisma: “Ela tinha uma alma de fogo, um temperamento muito forte; muito rapidamente encontrou apoios”.

portrait4Ancorada na realidade de seu tempo

Sua família experimentou um crescimento econômico meteórico, após a Revolução francesa, e fez uma fortuna no comércio de seda. Vinda da classe média alta, Pauline leva uma vida de sobriedade, permanece celibatária, mas não ingressa na vida religiosa. “Meu claustro é o mundo”, ela repete. Está ancorada na realidade de seu tempo, interessando-se vivamente pelas condições de vida dos trabalhadores. Concretiza, também, seu desejo de transformar a sociedade: ela compra uma fábrica de alto-forno perto de Apt, em Vaucluse, e pretende torná-la uma “nova fábrica”, onde as condições de trabalho serão decentes e seus funcionários trabalharão com remuneração razoável.

O problema é que a administração da fábrica foi confiada a dois gerentes desonestos. Pauline Jaricot terminará sua vida, arruinada, em 1862.

O caminho da beatificação
Enterrados no cemitério de Loyasse, seus restos mortais estão agora na Igreja de Saint-Nizier (Lyon 2) e seu coração na Igreja de Saint-Polycarpe (Lyon 1): “uma prática comum para os que morreram no aroma da santidade” explica Gaëtan Boucharlat de Chazotte.

A diocese de Lyon iniciou o processo de beatificação de Pauline Jaricot, diante da Santa Sé, em 1930. Em 1962, o Papa João XXIII reconheceu Pauline Jaricot como venerável.

Faltava apenas o reconhecimento de um milagre para alcançar a beatificação. Isso aconteceria em 2012. Maylin, uma menina de 3 anos, ficou sufocada. Hospitalizada, ela teve uma parada cardíaca e foi considerada praticamente morta pelos médicos. Em sua escola, foi organizada
uma corrente de oração pela intercessão de Pauline Jaricot, cujo jubileu, de 50 anos da morte, foi celebrado naquele ano. Alguns dias depois, a criança mostra sinais de vida e se recupera sem sequelas.

Um inquérito diocesano sobre a suposta cura foi instaurado no Tribunal Eclesiástico da Diocese de Lyon. A menina foi auscultada em Roma. Após um longo procedimento científico e canônico, os médicos concluem que se trata de uma cura inexplicável. Um fato excepcional, na opinião de Gaëtan Boucharlat de Chazotte, porque “muitos casos de curas inexplicáveis, investigados na diocese, não foram bem-sucedidos porque os fatos não foram suficientemente comprovados”.

Depois de encaminhar as conclusões do processo para Congregação para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autoriza o decreto que reconhece o milagre.

Devido à pandemia do coronavírus, nenhuma data de beatificação foi estabelecida até agora. A cerimônia poderia ser realizada em Lyon ou em Roma, pois o espírito missionário de Pauline Jaricot se irradia para além da capital dos gauleses.

Fonte: https://france3-regions.francetvinfo.fr/auvergne-rhone-alpes/rhone/lyon/pauline-jaricot-
lyonnaise-bientot-beatifiee-1835636.html

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