Mundo desigual: de quem é a culpa?

Mundo desigual: de quem é a culpa?

O Fórum de Davos põe em cheque as crenças do sistema capitalista neoliberal que sempre foram questionadas pelo Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre (RS).

de Jaime C. Patias *

Começou nesta segunda-feira, 16 de janeiro, em Davos nos Alpes suíços, mais uma edição do Fórum Econômico Mundial, evento que reúne cerca de 3.000 “personalidades da elite planetária”. A maioria dessa nata acredita piamente na tese do “fim da história” proposta pelo filósofo americano, Francis Fukuyama no início da década de 1990. (cf. livro “O fim da história e o último homem” – 1992).  A teoria acreditava que o livre mercafavela_paraisopolis_2208dozedo e a democracia haviam triunfado. A humanidade enfim, havia encontrado o sistema perfeito de governar o mundo e, por tanto, não precisaríamos pensar mais em outro sistema. Era o “fim da história”. Caso isso fosse verdade, que triste fim, que horrível, repugnante e diabólico fim… Anos mais tarde a tese foi abandonada pelo próprio Fukuyama.

Pois bem. Este ano o Fórum de Davos põe em cheque as crenças do sistema capitalista neoliberal, que sempre foram questionadas pelo Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre (RS). O Relatório do evento propõe nova agenda com o “povo” no centro, mas não abandona a crença nos dogmas do mercado que domina a agenda.

Uma economia humana para os 99%
O mercado livre permite que alguns acumulem fortunas e aceita como inevitável que milhões passem sérias necessidades, com um preço socioambiental que põe em risco a vida do planeta. O relatório “Uma economia humana para os 99%” revela que nunca se produziu tanta riqueza, mas ela se concentra no grupo dos 1% mais rico do planeta cuja renda aumentou 182 vezes mais que a dos 10% mais pobres entre 1988 e 2011. O relatório foi elaborado pela Oxfam, entidade que reúne diversas organizações não governamentais. (cfr. Jornal Folha de S. Paulo, 16/01/17, A17). A desigualdade econômica e social ameaça a estabilidade do planeta. Então, “desenvolvimento” a que preço? Até a morte?

desigualdade1% dos mais ricos do mundo detém a mesma riqueza que todo o resto do planeta. O sistema está organizado para que esse 1% mais rico da população fique cada vez mais rico. E ninguém ousa propor a tributação sobre as grandes fortunas para reverter esse quadro e redistribuir parte dessa riqueza pelos outros 99%.

Países chamados desenvolvidos perdem anualmente, US$ 100 bilhões por sonegação fiscal. No Brasil, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) estima que a evasão fiscal anual é de R$ 240 bilhões. Além disso, a isenção fiscal dessa nata deixa de arrecadar anualmente R$ 79 bilhões, dinheiro que poderia ser aplicado em saúde, educação, saneamento básico, moradia e transportes, fatores fundamentais para diminuir a desigualdade no país.

O escândalo do Panamá Papers sobre os paraísos fiscais revelou uma lista de negócios duvidosos de governantes, políticos, celebridades e empresas. Essa elite de privilegiados contribui para alimentar o sistema que agrava a desigualdade. E ainda tem gente achando que o Brasil anda mal por causa dos programas sociais que distribui uma migalha aos mais necessitados. As últimas reformas no Brasil seguem essa lógica perversa.

* Pe. Jaime C. Patias, imc, secretário nacional da pontifícia União Missionária.

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