Uma tenda como capela: missionário coreano no Quênia

Uma tenda como capela: missionário coreano no Quênia

Missionários começaram celebrar a Eucaristia numa sala da escola, agora têm uma tenda que serve de capela.

de Francisco Pedro

Missionário sul-coreano encontra no acolhimento do povo queniano a motivação para vencer as dificuldades de uma missão onde para se ter água é preciso esperar na fila do poço comunitário. É ali, no meio do nada, que diz sentir a verdadeira evangelização

Quando ainda andava às voltas com as dúvidas vocacionais, Benigno Lee, chegou a escrever uma carta a Deus, pedindo-lhe um sinal. Hoje, como consagrado, não só encontra esses sinais no seu dia a dia, como procura levá-los a quem pouco ou nada tem, nas chamadas periferias existenciais. Não o faz apenas porque o Papa Francisco o tem pedido com insistência, mas por convicção, e porque o estar próximo de quem mais precisa, de quem pouco ainda conhece do Evangelho, é, para ele, a essência do carisma missionário. «Não podemos abandonar as pessoas que nada têm», afirma o sacerdote, de 42 anos.

Natural da Coreia do Sul, Lee foi destinado para uma nova missão da Consolata, na região pobre de Adu, diocese de Melinda, na zona costeira do Quênia. Vive há pouco mais de um ano numa casa alugada, com outro missionário. Começaram por celebrar a Eucaristia numa sala da escola primária, agora têm uma tenda que serve de capela. Estão numa região dominada pela igreja protestante, pelas crenças tradicionais. Mas já conseguiram batizar 66 pessoas e esperam dar este sacramento a mais uma dezena de fiéis ainda este ano.

A par dos desafios evangelizadores, os dois missionários enfrentam ainda as dificuldades próprias de quem vive numa zona de interior, longe dos grandes centros. Para terem água potável, têm que recorrer ao poço comunitário – que nem sempre chega para todas as necessidades. E para conseguirem eletricidade, tiveram que instalar painéis solares e um gerador. Mas mesmo assim, não se podem permitir a ´luxos´ e precisam de uma disciplina enorme para racionalizar o consumo. «Não podemos ter um uma geladeira e, em termos de produtos frescos, só podemos guardar em casa o que é para consumir no dia», explica o missionário.

Muitos, talvez não aguentassem muito tempo este tipo de privações. Mas Benigno Lee, em vez de se deixar esmorecer, procura fortalecer-se todos os dias «na Palavra e no acolhimento» que recebe em Adu. E já conseguiu, inclusive, angariar fundos junto de benfeitores do Canadá para distribuir sacos de arroz, milho e feijão, pela população. Em simultâneo, e com a ajuda das religiosas combonianas, vai visitando as famílias que lhe pedem para dar a bênção às suas casas e ajudando no trabalho de alfabetização e de formação agrícola.

Fonte: Fátima Missionária | Foto: Ana Paula

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