Missão nas periferias

Missão nas periferias

Vamos conhecer o trabalho que a irmã Cecilia Sá Miranda, Serva dos Pobres realiza junto aos povos indígenas na Amazônia.

Estamos vivendo com alegria, o Mês Missionário. Até o presente momento, rezamos com vários temas e hoje, vamos refletir sobre a Missão nas periferias. Segundo o papa Francisco, somos convidados a sair do nosso pequeno mundo e ir às periferias geográficas e existenciais, para nos fazermos próximos das pessoas.

Hoje, vamos conhecer um pouco, do grande trabalho que a irmã Cecilia Sá Miranda, da Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Serva dos Pobres, realiza, junto aos povos indígenas na Amazônia.

Irmã Cecilia é natural de Parintins (AM), filha de agricultores e pescadores. Hoje ela trabalha em Roraima, na Região Serra da Lua, com outras duas religiosas, membros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), na defesa dos povos indígenas, no cuidado da terra e no cultivo da vida espiritual, a partir das manifestações de Deus.

Irmã Cecilia afirma, que se sente realizada como missionária na sua região, com os povos Wapichana e Macuxi em 23 comunidades. “Sou grata a Deus por ter me dado a oportunidade de gastar a vida junto àqueles que muitas vezes são desprezados. À medida que as pessoas vão percebendo que somos um com eles, abrem-se as portas e o coração para nos acolher”.

Como é a vida na região onde a senhora realiza a missão? “Os povos vivem em terras homologadas mas há uma presença muito grande de não indígenas, que vão e vem. Existem tráfico de drogas, alcoolismo e exploração sexual das meninas. Entre os grandes desafios, estão a saída da juventude, para trabalhar na cidade e o descrédito nas próprias lideranças. Temos igrejas neopentecostais que acabam enfraquecendo as lideranças tradicionais criando divisões internas”.

Testemunho
Assistir ao DVD da Campanha Missionária, 7º Dia.
O que destacamos do DVD e do testemunho de irmã Cecilia?

Ficamos sabendo que em Roraima, teve um período de tensão na Terra Indígena, Raposa Serra do Sol. Conte-nos como foram estes acontecimentos.

“Essa terra foi homologada em 2005. Nós participamos ativamente dos encontros formativos, na organização das assembleias dos indígenas. Fomos perseguidos. Aldo Mota, líder indígena, saiu a procura dos animais e foi morto e enterrado na fazenda. O corpo só foi encontrado muito tempo depois”.

“Outro fato que nos marcou muito foi quando as Irmãs Servas do Espírito Santo foram perseguidas e obrigadas a descerem do carro, juntamente com os indígenas. O carro foi jogado da ponte para baixo. Tiveram que andar muitos quilômetros. Passaram fome e tomaram água de lama. Também foram sequestrados e espancados três missionários da Consolata. Sofremos muito, mas estávamos muito unidos”.

Quais bispos serviram a Igreja de Roraima nesse período?
Ao longo destes anos foram: dom Aldo Mongiano, dom Aparecido José Dias e dom Roque Paloschi, que nos acompanhavam e ajudavam no fortalecimento do serviço ao Reino de Deus junto aos povos indígenas. A Igreja de Roraima por muitos anos celebrou a Eucaristia nas fazendas. Iluminados pelo Documento de Puebla (1979), vimos que era preciso fazer uma opção radical pelos indígenas. A partir desta opção, começaram as perseguições.

No ano de 2002 a Campanha Fraternidade teve como tema “Fraternidade e Povos Indígenas”, e o lema: “Por uma terra sem males”. No dia do lançamento, na catedral em Boa Vista (RR), os arrozeiros se vestiram de preto e protestaram, agredindo o padre com um tapa no rosto. Na hora da comunhão um deles recebeu Jesus Eucarístico e foi até o altar e queimou na vela, gritando palavrões. Na rua nós éramos xingados.

Irmã Cecilia, conta-nos como os missionários e o povo, enfrentavam a perseguição.
“O que nos ajudava, era a comunhão e a união entre nós religiosas e os padres, com os leigos missionários, as lideranças indígenas, os professores indígenas, a sociedade que acreditava em sua causa. Foram muitas pessoas, que somaram forças. Fizemos um verdadeiro “ajuri”, como se diz na língua materna. Rezamos juntos, fizemos longos diálogos inter-religiosos e interculturais buscando o melhor para a vida dos povos”.

“Os indígenas avaliam que vivem melhor com a demarcação de suas terras. Mas ainda hoje, a propaganda contrária dos ruralistas e da grande mídia é para dizer que a demarcação é negativa. Fazem isso para prejudicar o processo de demarcação e homologação de terras indígenas garantidos, pela Constituição no Brasil”.

O que causa a expulsão dos povos indígenas e pequenos agricultores de suas terras é o interesse pelo controle de recursos estratégicos: a água, a terra, minérios e as florestas. O agronegócio, a mineração e as hidrelétricas representam um risco para os mais pobres e a biodiversidade.

Compromisso
Diante do testemunho de irmã Cecilia, da Palavra de Deus e do que vimos no DVD, o que poderíamos assumir como gesto concreto?

Oração do Mês Missionários
Deus de misericórdia,
que enviaste o Teu Filho Jesus Cristo
e nos sustentas com a força do Espírito Santo,
ensina-nos a caminhar juntos
e, a exemplo de Maria, nossa Mãe Aparecida,
na celebração dos 300 anos do encontro da imagem,
sejamos, em toda a parte,
testemunhas proféticas da alegria do Evangelho
para uma Igreja em saída. Amém.

Extrato do livrinho da Novena Missionária 2017

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