Mês Missionário Extraordinário: A missão tem uma Igreja

Mês Missionário Extraordinário: A missão tem uma Igreja

Por Pe. Jaime Luiz Gusberti*

O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, tem-nos instigado a ser Igreja em saída, próxima às pessoas. Percebe-se que o coração dos cristãos tem aquecido, cada dia mais, a continuar com a Alegria do Evangelho, cultivar uma profunda “paixão por Jesus Cristo e simultaneamente pelo seu povo” (EG 268). Essa alegria cresce com a leitura dos escritos (Exortação Apostólica pós-Sinodal Evangelii Gaudium, Gaudete Et Exsultate, Christus Vivit e a Carta Encíclica Laudato Si), sempre na perspectiva de construir pontes que integram, a fim de chegarmos às periferias geográficas e existenciais.

Em 2017, o Papa Francisco nos convidou a viver, em outubro do ano de 2019, o Mês Missionário Extraordinário com o tema Batizados e enviados: A Igreja de Cristo em missão no mundo.
Na Exortação Apostólica aos jovens, o Papa Francisco lembra “Que os jovens sejam sempre missionários, e missionários com a própria vida e com experiências concretas de missão: de visitar casas, de transmitir a sua fé e seu sentido de pertença à Igreja” (Exortação Apostólica: Cristo Vive, Aos jovens e a todo o povo de Deus, 239).

Oferecemos a seguir alguns pensamentos para aprofundar a reflexão em torno do que é a essência da Igreja, a missão:

A origem da missão é o amor fontal de Deus (AG 2)
Fundamenta-se na Trindade, a origem da natureza missionária da Igreja (LG 1 e AG 2). Deus é continuamente em saída. “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19) e vem ao nosso encontro. A iniciativa é sempre de Deus. O Livro do Êxodo destaca seis verbos que mostram que o nosso Deus é em saída, está em missão: ver/miséria; ouvir/socorro; conhecer/sofrimento; descer/entrar na história e caminhar com seu povo; libertar/cativos; conduzir/à terra prometida (cf. Ex 3,7-15).

A missão nasce do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida (cf. DAp 12) e se irradia, expande, dilata, transborda e difunde (AG, 2) em todo o universo. Gera movimento sempre para fora, criando proximidade, conversão e compromisso (cf. Lc 10,25-37). A pessoa do Espírito Santo tem o protagonismo nesse movimento missionário (cf. At 2).
Na missão, a iniciativa é sempre de Deus, pois a obra é de Deus, a missão vem de Deus! É Ele quem impulsiona o crescimento. O fundamento é Jesus Cristo (cf. 1Cor 3,5-11) e o encontro com Ele, o Messias servo que se identifica com os pobres (cf. Mt 25,31ss), quebra o triunfalismo, rompe esquemas que mais servem para fortalecer os nossos projetos que para serem sinal do Reino de Deus.

A identidade missionária da Igreja está no seu ser
O agir da Igreja deve derivar de sua conformidade com Jesus Cristo, missionário do Pai, servo da humanidade. Não são sinais exteriores em termos de organização e de vestimentas que dão a identidade missionária da Igreja, mas ela é construída a partir da ação e da força do Espírito Santo que conduz à unidade. O Vaticano II já nos convidava a voltar às fontes da nossa fé. Mas como colaborarmos para formar e fortalecer a identidade cristã em meio à sociedade plural líquida, onde tudo se desfaz rapidamente? Certamente é a partir da pessoa e missão de Jesus Cristo – do encontro com Ele, que é o caminho, a verdade e a vida; Aquele que se identifica com os pobres – que a missão a nós confiada se fortalece. A missão brota do coração da Santíssima Trindade como identidade da Igreja peregrina e que, por sua natureza, é missionária (cf. AG, n. 2). Por sua vez, a identidade do discípulo missionário nasce do encontro com Jesus Cristo, decisivo e transformador (cf. DAp, n. 29) que nos convida à conversão pessoal e pastoral.

A Igreja é desafiada a primeirear
A Igreja é enviada para continuar a Missão de Jesus Cristo: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês” (Jo 20,21).
O Papa Francisco, na Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, chama a nossa atenção: “A Igreja em saída é a comunidade de discípulos missionários que primeireiam, que se envolvem, que acompanham, que frutificam, festejam e tomam a iniciativa!” (EG 24).

A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10) e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procura os afastados e chega às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Jesus lavou os pés de seus discípulos. O Senhor envolve-se e envolve os seus, pondo-se de joelhos diante dos outros para lavá-los; mas, logo a seguir, diz: “Sereis felizes se o puserdes em prática” (Jo 13,17). É um grande desafio que Jesus colocou aos seus e a nós hoje, sobretudo diante da realidade onde vemos “ricos cada vez mais ricos, à custa de pobres cada vez mais pobres” (DPb, n. 30). O papa Bento XVI lembra que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica, naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza” (cf. 2 Cor 8,9; Bento XVI, DAp, p. 273). “O que nos recomendaram foi somente que nos lembrássemos dos pobres” (Gl 2,10). Vivendo esse estilo de vida, a comunidade eclesial se tornará mais santa e missionária. Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo.

* Secretário Executivo do Centro Cultural Missionário

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