Intenção Missionária

 

A Força da Oração

Comentário da Intenção Missionária do mês de julho de 2009

 

"A fim de que a Igreja seja germe e núcleo de uma humanidade reconciliada e reunificada na única família de Deus, graças ao testemunho de todos os fiéis em cada país do mundo."

 

 

 

 

Comentário da Intenção Missionária indicada pelo Papa para o mês de julho de 2009,
aos cuidados da Agência Fides (Roma)

 


Uma das conseqüências do pecado do homem foi a divisão. Já no livro do Gênesis podemos observar como Babem represente a separação, fruto do orgulho do homem (Gn 11,1-9). Os homens, que desejavam construir com as suas mãos um percurso rumo ao céu, terminaram por destruir a sua própria capacidade de compreender-se reciprocamente.

Portanto uma parte importante da missão redentora de Cristo é a de reunir, unificar. Em primeiro lugar Cristo reúne “os filhos dispersos”. Jesus é o “bom pastor” que reúne as ovelhas perdidas de Israel. Porém esta missão unificadora não se limita somente a Israel. Dirige-se a todos os povos desta terra. São Paulo afirma que “não existe nem judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, porque todos são um em Cristo Jesus”. Esta unidade manifesta-se e realiza-se na Eucaristia, enquanto “todos formam um só Corpo, porque comem do mesmo pão”.

Porque o pecado produziu um dupla separação (separou o homem de Deus e de seus irmãos), assim, com o renascimento em Cristo, apresenta um duplo aspecto: antes nos reconcilia com Deus em seu sangue e torna-nos um só corpo.

A história da Igreja foi testemunha de muitas divisões e cismas, desde as origens. Mas parecem particularmente dolorosas e separações dos irmãos ortodoxos e do protestantismo. Ao mesmo tempo, a sociedade civil foi marcada por lutas fratricidas e incompreensões entre os povos. Recentemente, em vários países, registraram-se guerras entre as etnias, que provocaram muitas vítimas. Ainda hoje, como sempre, o coração humano continua precisando do Redentor que tire dele o germe do ódio e da separação, fruto do pecado. A Igreja de Cristo, ao mesmo tempo santa e necessitada de salvação, tem a tarefa de continuar esta missão redentora, de ser no mundo sinal de unidade e fonte de comunhão.

Afirma o Papa Bento XVI: “Permanecer junto foi a condição colocada por Jesus para acolher o dom do Espírito Santo; pressuposto de sua concórdia foi a prolongada oração. Encontramos de tal modo delineada uma formidável lição para toda comunidade cristã. Pensa-se que a eficiência missionária dependa principalmente de uma atenta programação e inteligente continuidade, mas, antes de qualquer resposta nossa, é necessária a sua iniciativa: é o Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja” (Homilia, 4 de junho de 2006).

No dia de Pentecostes, São Lucas escreve que os Apóstolos se encontravam reunidos com Maria. Em oração, junto com Ela, com a força do Espírito, manifesta-se a força unificadora da Igreja. Para que cresça a consciência de que os homens de todas as nações são uma família, é necessário que tomem consciência de serem filhos de Deus. Além de toda distinção de cultura, condição social, raça ou nação, existe a verdade que torna todos os homens iguais: somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança, redimidos pelo Sangue de Cristo.

Todos os fiéis cristãos, espalhados por toda a terra, vivendo a sua filiação divina, convertem-se em testemunhas de unidade e criadores de unidade. A Igreja, cujo modelo e exemplo é Maria, deve aprender dela a ter o coração sempre aberto a todos. A sua maternidade deve se refletir na maternidade da Igreja.

Quando o Senhor ressuscitado se apresenta aos discípulos depois da ressurreição, soprou neles, para dar-lhes o dom do Espírito e disse: “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem não os perdoardes, não serão perdoados.” A fim de que um homem possa ser instrumento de reconciliação, deve ter experimentado em seu coração a alegria de ter sido reconciliado com Deus em Cristo, de ter recebido o perdão dos pecados. Somente quem foi reconciliado pode ser fonte ser fonte de reconciliação, unificação, cura. Portanto, a missão da Igreja é oferecer a reconciliação de Deus aos homens, em Cristo, anunciando, como São Paulo: “Em nome de Cristo lhe suplicamos: reconciliem-se com Deus.”

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