Intenção Missionária

 

A Força da Oração

Comentário da Intenção Missionária do mês de novembro de 2008

 

"Para que as comunidades cristãs da Ásia, contemplando a face de Cristo, saibam encontrar os caminhos mais propícios para anunciá-Lo às populações deste vasto continente, rico de cultura e de antigas formas de espiritualidade, na plena fidelidade ao Evangelho.”

 

 

 

 

Comentário da IntençãoMissionária indicada peloPapapara o mês de novembro de 2008,
aos cuidados da Agência Fides (Roma)

 

É necessário ler com atenção a intenção missionária deste mês. Cada palavra do Santo Padre contém um sentimento profundo e torna evidente alguns aspectos importantes da Missão na Ásia. Em primeiro lugar, podemos ver a necessidade de “contemplar a face de Cristo”. Era esse o chamado de João Paulo II no início do Terceiro Milênio: “O nosso testemunho seria, contudo, insuportavelmente pobre, se nós não fôssemos antes contempladores da sua face” (NMI 16). Não se pode anunciar a quem não se conhece pela contemplação íntima.

Essa contemplação é, de fato, imprescindível para o anúncio, uma vez que não pode haver verdadeira evangelização, sem o anúncio explícito de Cristo. Não basta a proclamação dos valores humanos. “Não pode haver verdadeira evangelização, sem a explícita proclamação de que Jesus é o Senhor. O Concílio Vaticano II e, desde então, o Magistério, ao responder a certa confusão sobre a verdadeira natureza da Missão da Igreja, destacaram repetidamente a primazia da proclamação de Jesus Cristo em toda a atividade de evangelização” (Ecclesia in Asia, 19).

Outro aspecto que é assinalado é a urgência missionária das Igrejas jovens. Não se pode cair na tentação de pensar que as Igrejas jovens podem somente acolher evangelizadores. A Missão é tão essencial para a Igreja, que qualquer Igreja, mesmo jovem, é chamada a anunciar o Evangelho e a ser ela mesma missionária: “Ao dedicar-se generosamente à Missão ‘ad gentes’, o Bom Pastor convida também as Igrejas recentes à evangelização” (Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Missões de 2007). Também as Igrejas da Ásia devem assumir a tarefa de evangelizar o seu continente. Como afirmou o Santo Padre Bento XVI na sua Carta à Igreja Católica na Republica Popular da China, “durante o primeiro milênio cristão, a Cruz foi plantada na Europa e, durante o segundo, na América e na África, assim, durante o terceiro milênio uma grande messe de fé será colhida no vasto e vital continente asiático” (n. 3).

Mesmo que haja sempre a impressão, olhando com olhos meramente humanos, que a tarefa da evangelização supera nossas forças, devemos ter confiança na ação íntima do Espírito Santo. Ele trabalha no coração de cada homem, para abri-lo à verdade e ao bem, à beleza e ao amor: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração estará inquieto, enquanto não repousar em Vós”, disse Santo Agostino nas suas Confissões. Por isso “a Igreja está convencida de que no fundo do coração dos homens, das culturas e das religiões da Ásia haja sede de ‘água viva’ (cf. Jo 4,10-15), sede que o próprio Espírito suscita e que somente Jesus Salvador poderá saciar plenamente” (Ecclesia in Asia, 18).

Bento XVI refere-se à grande variedade e complexidade das situações na Ásia. Trata-se de um continente rico de culturas e religiões. Nem o respeito, nem a estima por estas religiões implicam para a Igreja num convite para silenciar o anúncio de Jesus Cristo aos não-cristãos. Devemos trabalhar sempre “segundo a verdade na caridade” (Ef 4,15) e proclamar a Boa-Notícia com respeito e estima amorosa para quem a escuta: “Uma proclamação que respeita os direitos das consciências, não viola a liberdade, uma vez que a fé sempre requer uma resposta livre por parte do indivíduo” (Ecclesia in Asia, 20).

A Igreja na Ásia é rica do testemunho do martírio. Quantos irmãos e irmãs deram suas vidas pelo Evangelho, muitos dos quais conhecidos somente por Deus! O seu exemplo é fonte de riqueza espiritual e um grande meio de evangelização: “Com o seu silêncio, eles falam ainda mais intensamente sobre a importância da santidade de vida e de como é preciso estar prontos a oferecer a própria existência ao Evangelho” (Ecclesia in Asia, 9).

Façamos nossa neste mês a súplica de João Paulo II a Maria, feita no final de sua Exortação Apostólica “Ecclesia in Asia” (51): “Ó Mãe Santa, Filha do Altíssimo, Virgem Mãe do Salvador e nossa Mãe, diriji vosso olhar terno à Igreja que vosso Filho plantou no solo da Ásia. Sede guia e modelo, enquanto continua a Missão de amor e de serviço de vosso Filho na Ásia.”

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