Intenção Missionária
A Força da Oração
Comentário da Intenção Missionária do mês de agosto de 2008

Comentário da IntençãoMissionária indicada peloPapapara o mês de agosto de 2008,
aos cuidados da Agência Fides (Roma)
O Concílio Vaticano II trabalhou para ajudar toda a Igreja a se conscientizar de sua vocação à santidade. O quinto capítulo da Constituição Lumen Gentium é dedicado à vocação universal à santidade: “Todos os fiéis, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (LG 40).
Esta vocação para a santidade nasce do projeto de Deus: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3). No seu amor misericordioso, Deus quis nos tornar partícipes da sua graça, da sua vida e da sua própria santidade. Por definição, a Igreja é Santa, porque Cristo a amou e se doou a ela como vítima, para santificá-la (cf. Ef 5,25-26). É a partir da plenitude da vida e da santidade de Jesus Cristo, que a Igreja recebe a sua santidade.
Não há cristãos de “segunda categoria”. Todos os membros da Igreja têm a vocação à plenitude, à comunhão de vida com Cristo, e, por meio d’Ele, com o Pai e o Espírito Santo.
Do mesmo modo, a Igreja é essencialmente missionária. Como continuadora da Missão do Filho, foi enviada ao mundo, para anunciar o amor de Deus a cada homem. “Evangelizar, de fato, é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício do Cristo na Santa Missa, que é o memorial da sua morte e da sua gloriosa ressurreição” (Paulo VI. Evangelii Nuntiandi, 14).
Para participar dessa Missão comum de toda a Igreja, Deus concede a cada membro um dom distinto para o bem de todo o Corpo eclesial. Por isso, é necessário um discernimento atento, de modo a poder conhecer os carismas pessoais ou comunitários para o bem de todos. A Constituição Lumen Gentium afirma a esse propósito: “O Espírito Santo não se limita a santificar e a guiar o Povo de Deus por meio dos sacramentos e dos ministérios, e a adorná-lo com virtude, mas, ‘distribuindo a cada um os próprios dons como agrada a ele’ (1Cor 12,11), dispensa também aos fiéis de todas as ordens graças especiais, com as quais os torna aptos e prontos a assumirem vários encargos e ocupações úteis para a renovação e a maior expansão da Igreja segundo aquelas palavras: ‘A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum’ (1Cor 12,7)” (LG 12).
Falando aos Movimentos eclesiais na Vigília de Pentecostes de 2006, o Papa Bento XVI recordou que os dons ou os carismas que o Espírito suscita são voltados para a unidade da Igreja, e não para a sua dispersão: “A Nicodemos, que, na sua busca da verdade, chega à noite com as suas perguntas a Jesus, Ele disse: ‘O Espírito sopra onde quer’ (Jo 3,8). Mas a vontade do Espírito não é arbítrio. É a vontade da verdade e do bem. Por isso não sopra em toda a parte, vindo uma vez aqui e a outra ali; o seu sopro não nos dispersa, mas reúne-nos, porque a verdade une como o amor une” (Bento XVI, Homilia das Primeiras Vésperas de Pentecostes, 3 de junho de 2006).
Esta vocação à santidade e à Missão exige esforço de formação humana. A graça de ser evangelizador é ao mesmo tempo uma atividade que requer preparação espiritual e cultural. Sem dúvida, a união com Cristo é a regra de ouro de todos os evangelizadores: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Porém, ao mesmo tempo, deve existir uma progressiva formação para o exercício da Missão. Todos os missionários, tanto os leigos como os consagrados ou os sacerdotes, devem assimilar e aprofundar a fé mediante estudo e reflexão, para ser, de modo mais crível, anunciador da verdade. Unida ao imprescindível testemunho de vida, está a necessidade de formação intelectual para serem pregadores da Palavra. Esta necessidade aparece hoje de modo especial diante dos desafios culturais que estamos vivendo. A Igreja deve estar disposta ao diálogo com as outras religiões e culturas, mantendo ao mesmo tempo a integridade da fé recebida. Não podemos ser anunciadores, se trairmos a mensagem evangélica movidos por um falso irenismo. Somente a verdade liberta. Não podemos anunciar a liberdade de Cristo, se não formos fiéis à sua mensagem, à fé que a Igreja recebeu, e que cuida, para anunciá-la na sua integridade.