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Por Fúlvio Costa   
25 / Jul / 2011 21:00

A diocese do Alto Solimões, que compreende os municípios de Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tonantins, fica no extremo-oeste do estado do Amazonas. Faz limite com dois países: Colômbia e Peru, e a diocese de Cruzeiro do Sul (AC-AM) e a prelazia de Tefé (AM).

A região tem uma densidade demográfica de 1,4 h/km² (habitante por quilômetro quadrado), uma população de pouco mais de 190 mil habitantes e superfície de 145.000 km². A diocese do Alto Solimões, cuja sede fica no município de Tabatinga e que, por razões históricas leva o nome de um dos principais rios do Amazonas, é composta por oito paróquias, sendo que uma delas é exclusiva para os povos indígenas Tipunas, cerca de 40 mil pessoas, além de possuir jurisdição parcial sobre mais dois municípios: Juntaí e Fonte Nova.

É sobre os desafios missionários nessa diocese, no alto do Brasil e do Amazonas, que o seu bispo diocesano, dom Alcimar Caldas Magalhães, franciscano capuchinho da Ordem dos Frades Menores, 71 anos, nascido em Benjamin Constant (AM), falou em entrevista exclusiva à assessoria de imprensa das Pontifícias Obras Missionárias (POM).


Dom Alcimar destacou alguns aspectos que fazem da diocese do Alto Solimões, um caso particular na Igreja no Brasil sob o ponto de vista missionário. Cerca de 50 mil habitantes são indígenas. Além disso, a diocese possui em torno de 400 comunidades de base, ribeirinhas que, para o sacerdote chegar é preciso enfrentar dias e até semanas de barco para visitar as famílias em florestas jamais tocadas pelo homem.


“É outro Brasil. Outra realidade distante que poucos conhecem e que por causa de suas peculiaridades precisa de pessoas, missionários capacitados, que entendem os indígenas e sua cultura para poder desenvolver atividades, projetos e a missão junto a este povo”, disse o bispo.


Os indígenas no Alto Solimões vivem problemas urbanos, segundo dom Alcimar. Ele revelou que o crescimento desordenado e alguns projetos sociais fazem mal à região e aos povos indígenas no Amazonas. Destacou que é preciso outra visão para que os indígenas tenham uma vida mais saudável. “A população indígena do Amazonas está crescendo aceleradamente e fora de controle. As pessoas estão se identificando como indígenas e os casais estão aumentando o número de filhos sem pensar. Tudo isso para ganhar o dinheiro que o Governo oferece a cada filho indígena nascido, em torno de mais de 3 mil reais por criança”, sublinhou dom Alcimar.


O bispo disse que há mulheres que tem quatro, cinco, seis filhos, ou mais. Somente para receber o dinheiro da política do Governo Federal aos indígenas. “Onde fica o planejamento familiar diante disso? O que se tornou a vida humana para esses povos, uma simples mercadoria?”, se questionou o prelado.


Problemas Sociais nas aldeias

Junto com o crescimento desordenado vêm também os problemas sociais, antes vistos apenas nas grandes metrópoles. “Há aldeias com cinco a seis mil habitantes com problemas urbanos de comunicação, como: telefonia, televisão; outros de saúde (diarreia, malária), fossas, falta de água potável. Eles sofrem com doenças que hoje estão praticamente extintas no restante do Brasil”, destacou alguns pontos dom Alcimar. A Aldeia de Belém do Alto Solimões, continuou ele, “está precisando de muita água potável. Tem uma população estudantil de mais de 3 mil alunos. São problemas que extrapolam a noção de uma simples aldeia”, denunciou.

Desafios para a Missão

Os indígenas, diante de todo esse cenário, também sentem as necessidades espirituais. É aí que entra o grande desafio para a missão na diocese do Alto Solimões. “O que mais nos aflige é que esses indígenas nos pedem a Pastoral da Criança, por exemplo, pedem capelas e a presença de missionários. São pedidos constantes e nós precisamos de missionários capacitados no meio deles para ajudar”.

O desafio se torna mais complexo, segundo dom Alcimar, porque os indígenas precisam de uma assistência contínua na saúde, na educação, na preservação da sua cultura. Precisam de uma presença missionária de caridade, assistência e evangelização. Um bom número desses indígenas são batizados, mas falta serem evangelizados, falta alguém que os acompanhe, que cultive a Palavra de Deus no meio deles. “O desafio é ter uma presença mais contínua nessas aldeias. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) está apoiando a causa, mas eu diria que precisamos urgentemente de um reforço para que a Igreja atinja realmente os anseios desses povos. Precisamos de pessoas que se firmem ali com conhecimento, principalmente sobre as várias tribos, etnias e educação. Hoje temos três grandes universidades: uma em Benjamin Constant e duas em Tabatinga”, completou dom Alcimar.


Sacerdotes

Atualmente a Igreja particular do Alto Solimões conta com o trabalho de quatro padres diocesanos, mais o bispo. Os religiosos são sete da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Número reduzido para a extensão da diocese com suas mais de 400 comunidades.

Mesmo não conseguindo atingir toda a diocese do Alto Solimões, nenhuma paróquia está sendo desatendida. Há comunidades, porém, que receberam visitas há mais de 20 anos. “Tem pessoas, ao longo desses 20 anos que estou à frente da diocese que jamais viram um padre. Nesse contexto temos presença de evangélicos nem sempre bem intencionados. A política e Igrejas evangélicas se misturam muito. São deputados, senadores, que compram as igrejas para se manterem no poder. Trata-se de verdadeiros currais eleitorais”, revelou dom Alcimar.


A diocese de Itabira-Coronel Fabriciano (MG) já enviou há alguns anos missionários para o Alto Solimões. Dom Alcimar se lembra da época com muito carinho. “Foram parceiros de grande valia. Na época construímos parcerias, tivemos a presença de catequistas e realizamos bons projetos juntos”. Hoje, no entanto, ele destaca que as dioceses do sul do país têm dificuldades de ajudar com sua presença, mas o esforço da Igreja no Brasil para enviar missionários à região amazônica, não só para o Alto Solimões têm crescido.


“Hoje, depois da criação da Comissão para a Amazônia e com um certo estímulo da CNBB, a situação melhorou. Já estão chegando missionários para Roraima, para o Rio Negro, e para Tefé. Temos esperança também de receber missionários do Regional Sul 1 (estado de São Paulo). Vou fazer uma viagem para São Paulo nos próximos dias. Quero fazer contato com os bispos do Regional para saber como, quando e com quais condições poderemos receber missionários. Queremos fazer um diálogo eclesial com algumas dioceses de São Paulo”.

 

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