Dom Odelir: “Uma igreja que não é missionária não é uma igreja de Jesus”

Dom Odelir: “Uma igreja que não é missionária não é uma igreja de Jesus”

A Campanha Missionária de 2020 foi aberta na manhã do dia 1º de outubro, festa da Padroeira das Missões, Santa Terezinha do Menino Jesus, no Santuário Nacional de Aparecida. A missa de abertura foi presidida pelo presidente da Comissão Missionária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Odelir José Magri e concelebrada por vários padres.

Padre-Jovane2Em sua homilia na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, na abertura da Campanha Missionária neste mês de outubro, Dom Odelir José Magri disse que este mês é um tempo para “refletir junto, rezar junto, aquecer o coração na nossa ação cotidiana missionária, no nosso ser missionário na vida de cada dia em nossas dioceses, paróquias e comunidades”.

Dom Odelir Magri fez uma saudação especial a todos os conselhos missionários diocesanos e pessoas que se dedicam a ação missionária em suas comunidades e na vida cotidiana.

Lembrando o Evangelho da liturgia da quinta-feira da 26ª semana do Tempo Comum, o presidente da Comissão Missionária da CNBB, explicou que o número 72 discípulos é simbólico. “Podemos perguntar por que então 72 é simbólico? Ele quer significar abraçar todas as nações do mundo, todos os países e está em sintonia com o envio de Jesus: Ide por todo mundo, batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A missão, segundo o bispo, exige que o projeto de Deus seja levado adiante, com o testemunho e anúncio missionário. Ele lembrou que o primeiro anúncio foi de Jesus, que se fez homem, viveu neste mundo, viveu o mistério da sua paixão, morte e ressurreição. “A sua morte na cruz é para salvação de todos. Deus não quer que ninguém seja excluído por isso que a meta última da missão é além fronteiras. É testemunhar e levar essa mensagem de que nós somos salvos pelo mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus a todos os povos”.

Ao longo de sua reflexão Dom Odelir Magri ressaltou três dimensões importantes da identidade missionária. A primeira é a dimensão “Querigmática”. Ele afirma que todos os batizados são chamados a testemunhar a boa notícia, “Deus nos amou por primeiro. Deus nos salvou e nos convida a fazer parte desse seu projeto, dessa sua missão. Por isso, somos todos missionários e missionárias”. O bispo afirma ainda que “a missão querigmática nos coloca, desde o Papa até o último cristão batizado nesta missão, que é uma missão eclesial. É uma obra de igreja. Não é uma coisa pessoal, por isso que nós enviamos alguém em missão. Por isso é uma igreja que envia e recebe. É levar e testemunhar Jesus Cristo, sua proposta de vida. Uma igreja que não é missionária não é uma igreja de Jesus”.

A segunda dimensão é Programática. Dom Odelir Magri explicou que esse crer em Jesus Cristo, de viver a nossa fé “de algum modo tem que ser manifestado, tem que ser proclamado, tem que ser dito com palavras, mas, como lembrar-nos São Francisco, se for necessário com palavras. Primeiro com testemunho de vida”. Ainda segundo ele a missão como igreja tem um programa, tem um objetivo, tem metas e envolve pessoas.

O presidente da Comissão Missionária da CNBB lembra que a nível de Brasil existe a Comissão Missionária Nacional que envolve todas as forças missionárias da igreja no Brasil. Recordou que em 2019 foi lançado o Programa Missionário Nacional com suas metas, suas prioridades, frisando que esse programa, essa articulação envolve os bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos, leigas e os seminaristas

Citando o Papa Francisco, Dom Odelir Magri disse que todos somos chamados a “viver a experiência de uma igreja em saída, uma igreja missionária”. Ele citou ainda este período que vivemos com a pandemia, que, apesar de ser sofrido tem apresentado tantas coisas bonitas, como a solidariedade entre as pessoas. “Isso vem responder ao apelo do Papa Francisco que é combater a tentação da indiferença. Como missionários e missionárias nós também sofremos, mas, participamos deste gesto de compaixão e solidariedade. Por isso que a dimensão programática da missão é importante. É a partir dela que a identidade missionária da igreja se torna visível, pois, viver a missão na dimensão querigmática e programática é por a missão de Jesus no coração da igreja, como afirma o Papa Francisco”

abertura-da-campanha-missionaria-03A terceira dimensão vem da mensagem para o mês missionário do Papa Francisco, que afirma que “eu sou uma missão neste mundo, você é uma missão neste mundo”. De acordo com o bispo, a missão é de Deus e nós participamos dela, frisando que a missão não é apenas cumprir tarefas e fazer atividades, mesmo sendo isto importante. “A missão é todo dia, é todos os meses, toda hora é o meu jeito de ser, o meu jeito de viver, o meu jeito de ser cristão na sociedade a partir da minha profissão e do meu serviço na igreja. Como missionário estou anunciando e comunicando aquela experiência que eu estou vivendo do encontro com Jesus. Assim como Ele enviou os 72, assim como enviou os 12, assim como chamou e enviou Santa Terezinha e São Francisco Xavier, hoje me chama, chama você”.

Referindo-se ao lema da Campanha Missionária – “Eis-me aqui, envia-me” – tirado do livro do Profeta Isaías, Dom Odelir Magri disse que é muito atual. “Esse lema é atual. É como se Deus nos chama hoje, agora. Portanto, a missão não é para amanhã, é para hoje e cada um de nós é chamado a dar a sua resposta naquela que é a minha realidade. Vamos ter essa abertura de coração para dizer cada vez que Deus nos convoca para afirmar: eis-me aqui, envia-me”.

Fonte: Diocese de Petrópolis

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