Desafios ambientais na Amazônia é tema de Seminário no Maranhão

Desafios ambientais na Amazônia é tema de Seminário no Maranhão

O aumento da exploração mineral e a expansão do agronegócio ameaçam a vida e a natureza

A diocese de Imperatriz no Maranhão organizou o Seminário “Os Desafios Ambientais da Amazônia” a partir da Encíclica Laudato sì (Louvado sejas) do papa Francisco. O evento foi realizado entre os dias 10 e 12 de fevereiro, na cidade de Imperatriz (MA), em parceria com as dioceses de Viana, Grajaú, Carolina e Balsas, Regional Nordeste 5 da CNBB.

Participaram 120 pessoas, entre lideranças indígenas, sertanejos, ribeirinhos, quilombolas, pescadores artesanais, geraizeiros, quebradeiras de coco, moradores das cidades, lavradores, pastorais sociais, sociedade civil organizada, religiosas e religiosos, padres e bispos.

IMG_3701O Seminário foi promovido pela Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e pelo Regional Nordeste 5 da CNBB.

Fundada em 2014, a Repam abrange os nove países do bioma amazônico. No Brasil, engloba nove estados no território da Amazônia Legal. O Seminário Laudato sì vem sendo realizado nos seis regionais da CNBB desse território, estabelecendo um diálogo entre as realidades locais e a Encíclica do papa Francisco sobre o cuidado com a Casa Comum.
A proposta do Seminário é tecer redes e estabelecer intercâmbios entre os povos da floresta, visando debates para provocar transformação da realidade local diante dos impactos ambientais na Amazônia. Foram tratadas questões como o desmatamento desenfreado, a concentração fundiária no Maranhão, a contaminação dos rios, as violações aos direitos humanos e da natureza.

No final do encontro, os participantes publicaram uma Carta Compromisso na qual denunciam o sistema capitalista que se sobrepõe ao Bem viver e “envenena rios e fontes, polui o ar, a terra e as águas, escraviza nossos irmãos e irmãs, incentiva o consumismo desenfreado, destrói a natureza, marginaliza os povos tradicionais, institui a monocultura, devasta nosso bem mais valioso que é a vida”. Confira a íntegra da Carta.

Desafios Ambientais na Amazônia,
Seminário de Imperatriz (MA), dioceses de Balsas, Carolina, Grajaú, Imperatriz e Viana

Reunidos/as em Imperatriz, às margens do rio Tocantins, nós, mulheres quebradeiras de coco, indígenas, quilombolas, lavradores/as, assentados/as, catadores/as de materiais recicláveis, geraizeiros/as, pastorais sociais, sociedade civil organizada, leigos/as, religiosas/os, padres e bispos; 120 participantes do Seminário promovido pela Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e pelo Regional Nordeste 5, nos dias 10 a 12 de fevereiro de 2017, ouvimos os clamores da terra e dos povos da nossa Amazônia. Sobrepondo-se IMG_3141ao Bem viver, o Capital envenena rios e fontes, polui o ar, a terra e as águas, escraviza nossos irmãos e irmãs, incentiva o consumismo desenfreado, destrói a natureza, marginaliza os povos tradicionais, institui a monocultura, devasta nosso bem mais valioso que é a vida.

Refletindo à luz dos ensinamentos da Encíclica Laudato sì do papa Francisco, nos damos conta da necessidade de unirmos forças na luta comum, apoiados nos diálogos entre as pastorais sociais e os movimentos dos povos tradicionais. Somos, em nossa maioria, os/as oprimidos/as e afetados pelos grandes empreendimentos desenvolvimentistas que privilegiam poucos. Faz-se, portanto, urgente que nos reorganizemos, principalmente, na atual conjuntura pós-golpe, com perda de direitos adquiridos e da investida do governo num projeto de morte.

O aumento da exploração mineral e a expansão do agronegócio ameaçam a vida e a natureza. O programa federal MATOPIBA, que abrange os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ameaça destruir 73 milhões de hectares do bioma cerrado. Esse bioma é berço das águas, de riquíssima biodiversidade e há centenas de anos abriga populações tradicionais, como indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, pescadores e camponeses. O MATOPIBA é a expressão concreta da “complexa crise socioambiental”, a que o papa Francisco se refere na Laudato sì (LS, 139).

Precisamos fortalecer os movimentos sociais com uma nova ordem política, social, econômica e ambiental. No Maranhão já existem muitas articulações de forças vivas: povos tradicionais, pastorais sociais e movimentos populares, entre elas a TEIA. Estas iniciativas estão em perfeita consonância com a espiritualidade e as práticas propostas pela Laudato sì, que afirma “tudo está interligado” (LS, 117).

IMG_3151Não podemos nos submeter à lógica do atual sistema de desenvolvimento econômico que exige o sacrifício de populações inteiras em favor de uma minoria. Quem mais tem, acredita precisar sempre mais. Nós queremos um envolvimento que respeite os povos e seus modos de existência, que nos faça reencontrar o nosso lugar na comunidade. Precisamos superar o individualismo e o descompasso das informações.

Cabe a nós o papel de cuidar da Criação, colaborando com Deus, denunciando as práticas devastadoras das fontes da Vida, estimulando uma profunda “conversão ecológica” de toda a sociedade (LS, 217). Precisamos ter ciência de que não somos proprietários da natureza, generosamente doada para o bem viver em harmonia. Somos “peregrinos e passageiros” (LS, 67), outras gerações virão depois de nós. Faz-se necessário retomar e fortalecer o compromisso social da nossa Igreja, em sua missão profética, cultivando sempre a espiritualidade descrita na Laudato sì. A Encíclica do Papa “deve chegar a todos que habitam este planeta” (LS, 03).

Por fim, motivados/as pelas provocações deste Seminário e novamente iluminados/as pelos ensinamentos da Laudato sì, assumimos o compromisso de:

– Tornar conhecida a Repam, através do fortalecimento das pastorais sociais a nível diocesano e regional;

– Articular e fortalecer as pastorais sociais, consolidando um Comitê da Repam a partir das dioceses do Sul do Maranhão, incluindo lideranças dos povos tradicionais e dos movimentos populares, com o apoio do Secretariado do Regional Nordeste 5;

– Continuar o estudo e o repasse das propostas e orientações da Laudato sì, envolvendo as mais diversas instâncias eclesiais e movimentos populares.

Imperatriz, 12 de fevereiro de 2017

Entidades presentes no Seminário:
Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Imperatriz (Ascamari)
Campanha da Fraternidade Imperatriz
Cáritas Regional Nordeste 5 da CNBB
Centro de Cultura Negra Negro Cosme
Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (Carmém Bascaran)
Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI)
Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Balsas
Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Imperatriz
Comitê Cidadania de Imperatriz
Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Conselho Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB) de Imperatriz
Diocese de Balsas
Diocese de Carolina
Diocese de Grajaú
Diocese de Imperatriz
Diocese de Viana
Faculdade de Educação Santa Teresinha (FEST) Imperatriz
Fundação Nacional do Índio (Funai)
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
Rede Justiça nos Trilhos
Legião de Maria
Ministério da Palavra
Movimento das Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento de Cursilhos de Imperatriz
Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Pastoral Catequética
Pastoral da Comunicação (Pascom)
Pastoral da Criança
Pastoral da Juventude (PJ)
Pastoral do Idoso
Pastoral Indigenista
Pastoral Social
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Balsas
Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão (SINPROESEMMA)

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