Chamados para amar

Chamados para amar

* Por Pe. Joãozinho

A Igreja no Brasil celebra, em agosto, o mês vocacional. Neste mês fazemos memória de muitas vocações: dos diáconos, padres, bispos; dos religiosos e religiosas e de todas as pessoas de vida consagrada; dos cristãos leigos e leigas, da vocação ao matrimônio, dos ministérios não-ordenados, com destaque aos catequistas.

A Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, propõe para este ano de 2020, a reflexão sobre o tema “Amados e chamados por Deus”, com o lema “És precioso aos meus olhos… Eu te amo” (Is 43,4).

Deus, que é Amor (cf. 1Jo 4, 8.16), ama-nos com um amor eterno, um carinho imenso. Somos preciosos aos olhos do Senhor, queridos e cuidados por ele. Tão amados assim pelo Bom Deus, ele chama-nos a viver no amor.

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da “Ciência do Amor”, encontrou na leitura da Palavra de Deus a resposta aos seus imensos desejos de amar e servir a Deus e à Igreja. Ao meditar os capítulos 12 e 13 da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, Teresinha descobre que o Amor é o fundamento, o centro e a meta de toda vocação. “O amor encerra todas as vocações”. Por isso, ela chega a exclamar em uma alegria delirante: “No coração da Igreja, minha Mãe, serei o Amor…assim serei tudo”.

Qualquer vocação na Igreja só tem sentido se for uma experiência de amor pelos outros. O amor é que torna o pai, a mãe, o catequista, o religioso, a religiosa, a pessoa de vida consagrada, o diácono, o padre, o bispo, enfim, todo vocacionado, um sinal da presença de Deus que salva a humanidade. O dom da vocação é uma graça para amar. E aí está a verdadeira felicidade e paz para quem é chamado. Amados por Deus, somos chamados a amar todas as pessoas com o mesmo amor.

Jesus Cristo deixou um único e novo mandamento: “…que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). O amor é a vocação de todos nós. E, cada pessoa, com sua vocação específica, é chamada a tornar presente este mandamento de Jesus. Além do mais, é o amor que nos identifica como discípulos e discípulas de Jesus: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns para com os outros “(Jo 13,35). Esta perfeita caridade é a nota predominante da comunidade cristã. É o sinal mais eloquente da presença de Jesus ressuscitado no meio do mundo, principalmente neste tempo de pandemia.

Este tempo difícil que estamos atravessando faz entender que agora e sempre há a necessidade de vocacionados e vocacionadas que sejam verdadeiras testemunhas do amor de Cristo. É a necessidade de uma Igreja que tenha um amor apaixonado por seu Mestre e pelas pessoas que mais sofrem.

A vocação de toda a Igreja é este amor fraterno entre os seus membros e o amor misericordioso para com todas as pessoas, especialmente os mais necessitados.

O Mês Vocacional é um tempo de graça para refletir sobre a nossa vocação como a vivência concreta do amor a Deus e aos nossos irmãos e irmãs.

Um elemento muito importante é a oração pelas vocações. O papa Francisco disse que: “As vocações nascem na oração e da oração. E só na oração podem perseverar e dar fruto”. Assim, a oração é fundamental para a descoberta, o discernimento e o processo de amadurecimento da vocação. Na oração acolhemos o amor de Deus por nós e a graça de transbordá-lo para os outros.

É necessário rezar para que surjam muitas vocações na Igreja; rezar para que cada pessoa se sinta amada e chamada por Jesus, e rezar para que toda a Igreja anuncie com alegria o amor de Jesus para todas as pessoas.

Jesus nos fala da importância da oração, quando diz: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita “(Mt 9,37-38). Este é como um “mandamento vocacional” de Jesus. Na obediência à sua palavra, rezemos, todos nós e todos os dias, pelas vocações.

* Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB

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