A dimensão espiritual da formação presbiteral

A dimensão espiritual da formação presbiteral

A espiritualidade no processo de formação dos presbíteros segundo Cristo Pastor, Servo e Missionário

O 9º Encontro de Formação Missionária para Seminaristas (Formise) Nacional reúne ao longo desta semana, dias 16 a 21 de julho, na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM) em Brasília (DF), 60 seminaristas de todos os regionais da CNBB. “A espiritualidade no processo de formação dos presbíteros segundo Cristo Pastor, Servo e Missionário”, foi tema de reflexão nesta segunda-feira, 17, apresentado pelo padre João Cândido da Silva Neto, assessor da Comissão Episcopal Pastoral20046335_771958539677941_2423456948794290657_n para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB. Publicamos, a seguir, a síntese fruto do estudo apresentado pelo assessor e do trabalho em grupo.

A identidade do presbítero configurado a Cristo, seja religioso ou diocesano, é a espiritualidade dos discípulos missionários. Neste sentido, o padre é missionário pela sua configuração a Cristo, sacerdote, profeta e pastor, e pela sua comunhão com o presbitério. O presbítero precisa ser formado para a interioridade e a comunhão, com uma sólida formação e maturidade interior. Para isso, é preciso uma vida de muita espiritualidade, cujo elemento central é a oração, por meio da qual nos descobrimos amados por Deus, amigos de Jesus e nos tornamos dóceis ao Espírito Santo. É uma espiritualidade cristocêntrica e trinitária: no encontro pessoal com Jesus é que conhecemos o Pai e recebemos o seu Espírito.

IMG_7519A partir do Evangelho dos discípulos de Emaús vimos que as quatro dimensões da formação (humana, espiritual, intelectual e pastoral) devem estar integradas, interagindo entre elas e não como gavetas separadas. A espiritualidade, contudo, perpassa todas as dimensões. O texto nos ensina que não devemos ter medo de quem somos, de nossa humanidade, de modo que estejamos abertos para que Jesus possa caminhar conosco. Com a formação pautada pela escuta da Palavra de Deus se inaugura um novo olhar a partir da fé: Deus fala misturado nas coisas; os olhos enxergam as coisas, mas a fé enxerga Deus que fala em tudo o que acontece. O discípulo missionário tem sua experiência de fé fundamentada no encontro com Jesus Crucificado-Ressuscitado, um encontro que ilumina a inteligência e abrasa o coração. A oração é também comunhão, estar à mesa, Eucaristia. O encontro com Jesus afasta o medo e impele os discípulos à missão, que é a essência da Igreja. A Igreja não tem uma missão, ela é missão. Nós somos missão de Deus no mundo.

Grupo 9 Formise

Quanto à formação, ela se dá de modo inicial e permanente. A formação inicial não se constitui em uma sucessão de etapas rumo à ordenação, pois esta é meta de um caminho espiritual. O discípulo missionário não tem diploma, mas está sempre na escola do Mestre. A formação toda deve estar imersa no processo de Iniciação à Vida Cristã, sob o risco de se ordenar um padre que nem sequer seja cristão. A finalidade da formação inicial é a formação de um coração sacerdotal e a dimensão espiritual tem um papel central neste processo: na etapa do Propedêutico, ela precisa assentar as bases para um conhecimento de si, em vista de humanizar a pessoa; na etapa do Discipulado, ela busca dar atenção ao seguimento de Jesus pobre, obediente e casto; na etapa da Configuração, ela auxilia na conformação a Cristo para que seja possível ser um dom de si para os outros por meio do cultivo de uma profunda amizade com Jesus. O centro da formação espiritual é a união pessoal com Cristo que nasce e se alimenta em modo particular na oração silenciosa e prolongada. Esta espiritualidade presbiteral é uma espiritualidade do cotidiano, encarnada, é uma espiritualidade bíblica, eucarística e missionária, como resume o texto dos discípulos de Emaús.

Assista aqui a reportagem da Rede Vida sobre a formação

A missão é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo. A pessoa que se oferece e se entrega a Deus por amor seguramente será fecunda, sem se preocupar com resultados a serem obtidos, mas com os frutos produzidos. Por fim, o Papa destaca a importância da oração de intercessão para a missão, como nos ensina a padroeira das missões, a monja carmelita Santa Teresa de Lisieux. Esta oração procura o bem dos outros, pois uma oração que deixa de fora os outros é falsa.

(Síntese elaborada pelos seminaristas Lucas André Stein, Fabiano Francisco da Silva e Ricardo Witt).

Leia também: Formação missionária para seminaristas destaca centralidade de Cristo

Confira aqui álbum de fotos do 9º Formise Nacional

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