“A alegria de ser Missionário”. Entrevista com padre Camerlengo, o superior Geral IMC

“A alegria de ser Missionário”. Entrevista com padre Camerlengo, o superior Geral IMC

A dedicação total à missão deve permear nossa espiritualidade

Os missionários da Consolata reunidos em seu XIII Capítulo Geral, que acontece desde o dia 22 de maio em Roma, devem eleger nesta segunda-feira, 12, a sua nova direção Geral. Em seus 116 anos de história, o Instituto Missões Consolata (IMC) é hoje uma Congregação pluricultural e internacional contando com 982 missionários originários de 23 países e vivendo em 231 comunidades presentes em 28 países na África, América, Ásia e Europa. Os trabalhos capitulares se estendem até o dia 20 de junho com a participação de 45 missionários: 22 africanos, 15 europeus e 8 latino americanos, representantes de 18 circunscrições.
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Padre Stefano Camerlengo, superior Geral, faz uma avaliação sobre os últimos seis anos de governo e revela o que pensa da Congregação para os próximos anos. O religioso italiano, que hoje, 11 de junho, completa 61 anos, foi ordenado padre em 1984 na República Democrática do Congo, onde trabalhou na missão, formação e direção. De 2005 a 2011 ele ocupou o cargo de vice-superior Geral.

Padre Stefano, qual a importância deste encontro para os missionários da Consolata e sua missão no mundo?
O Capítulo Geral é uma pausa para reflexão sobre a situação do Instituto Missões Consolata, verificar o nosso modo de ser missionário ad gentes, recarregar as energias, descobrir novas modalidades de fazer missão com criatividade e espiritualidade renovando o entusiasmo missionário que é o coração da nossa vocação de consagrados para a Missão. A diversidade de nacionalidades neste Capítulo é um sinal de interculturalidade, que se intensificou nos últimos anos. Isso é um sinal de esperança, num momento em que o grupo de origem italiana está envelhecendo. Temos um rosto diferente, mas sempre identificado com o objetivo traçado pelo Fundador. Outro aspecto interessante neste grande encpe. Stefanoontro, é a fraternidade e a riqueza da partilha nos momentos de oração, de escuta recíproca e de busca, de aprendizado, nas comissões de estudo e nos grupos de trabalho, nas refeições e recreação.

Como o senhor avalia os desafios da Missão na atualidade?
A missão Ad Gentes, isto é, além-fronteiras, corre o risco de ser absorvida e confundida com as missões globais de todo o Povo de Deus, perdendo assim sua força profética. O XIII Capítulo Geral surge num momento da história do Instituto, podemos dizer crítico, num sentido positivo do termo, porque marcado por uma série de mudanças. Talvez nunca como hoje depois do Concilio, tivemos tantas mudanças na missão ad gentes. Sofremos as influências de fenômenos culturais e históricos. A globalização, o pluralismo cultural e religioso, as migrações, os conflitos étnicos, o relativismo filosófico e teológico, a negação de Deus e dos valores religiosos, fenômenos típicos do mundo pós-moderno incidem sobre o nosso modo de fazer missão.
Contudo, nós não devemos nos abater pelas dificuldades e reduzir o empenho para fazer frente aos problemas do envelhecimento e progressiva diminuição dos missionários de origem italiana. Precisamos caminhar sob o signo da esperança e do otimismo para impregnar as comunidades locais de entusiasmo pela missão e reencontrar a nossa vocação missionária específica: o primeiro anúncio.

Este Capítulo se propõe a revitalizar e reorganizar o Instituto. Qual deve ser o diferencial do missionário da Consolata?
A realidade nos chama a uma revitalização da pessoa do missionário e a uma reestruturação da nossa organização de governo. Precisamos nos colocar em estado de conversão. Por que somos da Consolata? Esta é uma pergunta intrigante que nos faz sair do estereótipo do ser missionário tradicional, baseado no fazer, para nos reconduzir ao nosso encontro com Jesus Cristo e com o Espírito que é o protagonista da Missão. A espiritualidade missionária do Instituto é alicerçada na força do Evangelho, no carisma e tradição, sobre a cristologia e a teologia. Esta é a força propulsora da vocação e do seu autêntico carisma.

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Mais do que elaborar um documento bonito, eu creio que devamos ser capazes de vencer a tentação intelectualista e de trabalhar para que a nossa missão tenha um coração com pés e mãos. O Capítulo nos recorda quem somos: consagrados para a missão ad gentes, sentinelas da aurora, pessoas incansáveis e cheias de esperança, testemunhas da ternura de Deus em meio aos últimos, aos marginalizados, àqueles que não têm voz nem vez, os empobrecidos. No meio deles devemos ser sinais de libertação e salvação.

Somos chamados a ser missionários santos, com um alto nível de espiritualidade e de oração, com uma fidelidade cotidiana à Eucaristia, com a escuta da Palavra de Deus, estando junto com as pessoas. Devemos ser missionários consoladores porque somos consolados. Missionários que vivem a missão na contemplação e na comunhão, numa comunidade intercultural. A dedicação total à missão deve permear nossa espirituDSC_0009alidade. Missionários respeitosos e atentos às culturas, que se aplicam ao estudo da língua, que não julgam e não sofram preconceitos. Missionários que deem atenção ao diálogo intercultural e inter-religioso, que com humildade e lucidez se entregam ao serviço da Igreja local evitando o protagonismo. Missionários que vivam a missão na solidariedade e na gratuidade, procurando ser pobre com os pobres. Missionários que se inspiram na Consolata, nossa Mãe, modelo de vida evangélica, fraterna e apostólica.

Qual será a tarefa da nova Direção Geral a guiar a Congregação nos próximos seis anos?
À nova Direção Geral competirá a responsabilidade de fazer chegar as reflexões do Capítulo a todo Instituto e de garantir a unidade na diversidade, de presidir a fraternidade no espírito de família, promovendo ao mesmo tempo, a criatividade e a qualidade dos missionários.

A esperança é que a nossa missão recupere a inspiração evangélica original, sendo presença de esperança e de humanização onde os outros não querem ir, mediadores da misericórdia e da consolação de Jesus em meio aos excluídos, com plena disponibilidade e sem reserva. O Bem-aventurado José Allamano, nosso Fundador quis que seus missionários vivessem o Evangelho e ficará certamente contente de nós, se conseguirmos recuperar a nossa identidade de consagrados para a missão ad gentes. A revitalização e a restruturação do Instituto feito em um caminho de continentalidade, dará à nossa família um rosto mais missionário para anunciar o mistério de Jesus Cristo e mostrar a beleza do Evangelho aos povos. Esta é a alegria de ser missionário da Consolata.

* Jaime C. Patias, imc, é Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária.

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