A água nossa de cada dia

A água nossa de cada dia

Estamos falando de duas cidades grandes, em que a eventual falta de água provocará tragédias, já que ninguém vive sem água

por Ivo Poletto *

Mesmo com a bênção das chuvas que têm caído desde novembro, a população de Brasília continua enfrentando racionamento de água. Segundo o governo, isso é necessário para que a crise não se agrave no longo período em que não chove no Cerrado. Por outro lado, mesmo a população da região metropolitana de São Paulo corre o risco de enfrentar nova falta de água. Os governos garantem que não, mas estudiosos e movimentos de luta pela água afirmam que o nível dos reservatórios ainda não garante nada.

Estamos falando de duas cidades grandes, em que a eventual falta de água provocará tragédias, já que ninguém vive sem água. Mas a população da pequena Correntina, na região do Cerrado baiano, perdeu a paciência e decidiu agir por conta para impedir que algumas empresas de agronegócio matassem o rio que abastece a cidade. Isso indica que nivel_agua_ok222não se pode brincar com as políticas públicas e com as práticas empresariais em relação à água. Ou os responsáveis pela política levam a sério as situações concretas de ameaças de falta de água, identificando e enfrentando as causas delas, ou a população se sentirá no direito e na necessidade urgente de agir por conta própria.

Logo mais, serão realizados em Brasília dois fóruns mundiais sobre a água. Um deles, que pretende ser, mas não é oficial de nada e de ninguém, é organizado pelas grandes empresas mundiais que comandaram e estão decididas a continuar lutando pela privatização da água. O outro, organizado por movimentos sociais, é denominado Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), e dele farão parte forças sociais que defendem a água como bem comum e direito de todos os seres vivos e da Terra. É preciso evitar e até impedir que a água seja entregue a empresas apaixonadas por lucros, riqueza e poder. Elas reduzirão a água a mercadoria, e só terão acesso a ela os que tiverem dinheiro.

Os povos indígenas e tradicionais, junto com movimentos sociais, desejam que o FAMA ajude a lutar por políticas que favoreçam o cuidado com as florestas como geradoras de água, e de todos os mananciais de água como espaços sagrados, fontes de vida. E é por isso e para isso que, junto com a mobilização em Brasília, nos dias 17 a 22 de março, o FAMA está promovendo mobilizações em todas as regiões, estados, localidades, enfrentando as ameaças e agressões e reforçando o cuidado da água em cada localidade.

* Ivo Poletto, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS): www.fmclimaticas.org.br

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